PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
15 dias

Declaração de óbito da mãe de Hang foi fraudada na Prevent, diz jornal

Do UOL, em São Paulo

22/09/2021 13h17Atualizada em 23/09/2021 01h06

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo afirma que 15 médicos que dizem ter trabalhado para a Prevent Senior entregaram um dossiê à CPI da Covid indicando que a declaração de óbito da mãe do empresário Luciano Hang, Regina Modesti Hang, de 82 anos, "foi fraudada". A idosa morreu no dia 4 de fevereiro, em São Paulo.

De acordo com a reportagem, o dossiê aponta que no prontuário havia informação de que Regina começou a apresentar os sintomas em 23 de dezembro, e que tomou hidroxicloroquina, azitromicina e colchicina antes de ir ao hospital da Prevent Senior. Depois, teria recebido ivermectina e tratamentos experimentais.

Hang é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Após a morte da mãe, ele publicou um vídeo em suas redes sociais em que dizia lamentar que a mãe não tivesse recebido o tratamento precoce.

O vídeo foi divulgado hoje na CPI, durante oitiva do diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior. As causas da morte da mãe de Hang foram questionadas pelo relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), mas Batista Júnior se negou a responder por se tratar de informações de um paciente.

De acordo com a reportagem do Estadão, o dossiê indica que "o prontuário médico da sra. Regina Hang prova que ela utilizou o kit antes de ser internada e que repetiu o tratamento durante a internação, assim como registram que seu filho, sr Luciano Hang, tinha ciência dos fatos".

Batista Júnior nega que a operadora tenha cometido qualquer irregularidade. "O dossiê entregue a esta Casa é uma peça de horror realmente, produzido a partir de dados furtados de pacientes, sem qualquer autorização expressa, o que configura crime que precisa ser investigado", disse.

"Esses dados precisaram ser manipulados para deturpar a real conduta de mais de 3.000 médicos e, desta maneira, após furtados e adulterados, pudessem ser usados para atacar uma empresa idônea", acrescentou à CPI.

A reportagem do Estadão tentou contato com o empresário Luciano Hang, mas sem sucesso. A CPI pretende ouvi-lo nas próximas semanas.

À noite, Hang emitiu uma nota na qual afirma ter "total confiança nos procedimentos adotados pela Prevent Senior". O empresário também disse que nunca ocultou o motivo da morte da mãe e que o episódio está sendo usado como "artifício político" pela CPI da Covid.

"Tenho total confiança nos procedimentos adotados pelo Prevent Senior e que tudo que era possível foi feito. Deixei claro a causa do falecimento de minha mãe em várias manifestações públicas e nas redes sociais, nunca foi segredo", declarou.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.