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Conteúdo publicado há
15 dias

'Fiz o que muitos brasileiros gostariam', diz senador que xingou Calheiros

Do UOL, em São Paulo

24/09/2021 16h21Atualizada em 24/09/2021 16h42

Membro titular da CPI da Covid, o senador Jorginho Mello (PL-SC) voltou a falar da discussão que teve ontem com Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, ocasião em que os dois trocaram xingamentos. Mello, chamado de "vagabundo" por Calheiros, justificou a briga dizendo ter feito o que "muitos brasileiros gostariam de ter feito".

"Quem é Renan Calheiros para chamar alguém de vagabundo? Ninguém tem sangue de barata. Fiz o que muitos brasileiros gostariam de ter feito", escreveu Mello em uma rede social.

A audiência de ontem da CPI foi marcada para ouvir o diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento. Alvo da CPI, a Precisa atuou como intermediária das negociações — supostamente irregulares — entre o Ministério da Saúde e o laboratório indiano Bharat Biotech para compra de doses da vacina Covaxin.

A discussão entre os senadores começou quando, durante o depoimento, Renan Calheiros fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) — e Jorginho Mello, aliado do governo, se mostrou contrariado e rebateu.

O relator disse, então, que não aceitava ser interrompido pelo colega. "Vá para os quintos", declarou Mello, em tom indignado. (Assista acima)

A partir daí, os dois elevaram a tom da discussão e começaram a trocar xingamentos. Calheiros chamou Mello de "vagabundo" e ouviu do catarinense adjetivos como "picareta" e "ladrão". O microfone da sala da CPI foi cortado em razão da discussão.

Irritado, Calheiros desceu da mesa diretora e foi ao encontro do colega. Outros senadores, no entanto, intervieram e providenciaram o distanciamento entre os dois.

"Provocação é repetida"

Ontem, ao falar sobre a discussão, Renan Calheiros pediu desculpas aos brasileiros e colegas de CPI, explicando que "tem hora que não dá para aguentar". Ele reforçou, porém, que a temperatura deve seguir alta — principalmente no que diz respeito ao caso Covaxin — à medida que as investigações vão avançando e novos depoentes são convocados.

"Esse assunto [caso Covaxin] nunca acaba, é uma bandalheira, uma coisa malcheirosa. Não temos como não cumprir nosso papel", disse o senador à CNN Brasil. "Peço desculpas aos brasileiros e colegas de CPI, porque tem hora que não dá para aguentar, a provocação é repetida. Peço desculpas porque o importante é chegar ao fim na elucidação das coisas."

Estamos na reta final, mas muita coisa precisa ser elucidada. Precisamos avançar, quebrar sigilos, convocar novos personagens e desenhar o relatório. Vamos ter a elevação da temperatura ainda no caso Covaxin, no caso da Prevent Senior, e vamos ter elevação altíssima nas fake news. A cada dia esse governo demonstra que, além de irresponsável, é totalmente despreparado. Tudo é na improvisação.
Renan Calheiros, à CNN

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.