PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Paciente diz ter recebido cloroquina da Prevent antes de testar para covid

07.out.21 - Paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade, chega ao Senado para prestar depoimento na CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
07.out.21 - Paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade, chega ao Senado para prestar depoimento na CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

07/10/2021 12h07Atualizada em 07/10/2021 12h18

O paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade, disse hoje que recebeu o "kit covid" da operadora antes mesmo de testar positivo para covid-19. Em depoimento na CPI da Covid, Tadeu relata uma consulta por telemedicina e diz ter recebido os medicamentos em casa, por motoboy.

Ele conta que tomou a cloroquina por cinco dias, seguindo orientações da médica, mas que seu estado de saúde piorou. Tadeu foi internado na madrugada do dia 31 de dezembro e ficou internado por 120 dias.

O paciente emocionou os senadores ao contar que, 30 dias após a internação, a filha recebeu o telefonema de uma médica sugerindo a retirada de Tadeu da UTI para cuidados paliativos em um leito híbrido. A família não concordou com a mudança, mas, mesmo assim, a médica autorizou, em prontuário, que ele recebesse o tratamento.

Em sua orientação, a médica também recomendava que não fosse feita a reanimação, caso necessário. Ela também escreve que a filha aceitou o procedimento. "Isso é mentira, minha família não concordou", diz Tadeu, que, naquele momento, já estava entubado.

No mesmo dia, narra Tadeu, a família participou de uma reunião com três médicos da Prevent Senior. Segundo ele, os funcionários apresentaram o prontuário de outra pessoa para convencer a família de que ele não tinha chances de sobrevivência.

Eles tentam convencer minha família de que, pelo prontuário, eu tinha marcapasso, tinha sérias comorbidades, problemas arteriais e que eu tinha idade muito avançada. Mas o prontuário não era meu, era de uma senhora de 75 anos. Eu não tenho marcapasso, tenho pressão alta, é a única coisa que sempre tive.
Paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade

Questionado por senadores sobre o argumento usado pelos médicos, Tadeu contou que eles diziam que o caso não tinha mais solução. "Que eu estava com rins e pulmões comprometidos e que, eventualmente, se eu sobrevivesse, seria um paciente com problemas renais crônicos e respiratórios também. No entanto, meus últimos exames mostram que os pulmões e rins estão ótimos".

Tadeu também diz que os médicos afirmaram que era mais "digno" que ele morresse com uma bomba de morfina.

"Minha família se insurge, ameaça ir à Justiça para buscar uma liminar para impedir que eu saia da UTI e ameaça procurar a mídia. Nesse momento, a Prevent recua e cancela o início do tratamento paliativo. Ou seja, em poucos dias eu estaria vindo a óbito. Hoje estou aqui, eu vim de São Paulo para Brasília sozinho, sem acompanhamento."

Tadeu diz que a família procurou um médico particular para fiscalizar as ações da Prevent Senior. "Mesmo eu estando na UTI, minha família não confiava mais. Esse médico foi um verdadeiro fiscal. Acho que estou vivo também por causa dele".

A Prevent Senior é investigada pela CPI da Covid por supostas irregularidades cometidas durante a pandemia.

Um grupo de 12 médicos e ex-médicos da Prevent apresentou um dossiê com informações que apontam infrações cometidas pela empresa. A advogada dos denunciantes, Bruna Morato, já foi ouvida na CPI. Segundo ela, a Prevent implementou uma política interna de "coerção", e os profissionais de saúde acabaram receitando o chamado "kit covid" por medo de sofrerem retaliações, inclusive demissão.

Em depoimento na CPI, Bruna também contou que a Prevent se aproximou do governo federal para defender o tratamento com medicamentos ineficazes contra a covid.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.