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3 meses

Tabata: Bolsonaro mente ao dizer que projeto não tem fonte de financiamento

Do UOL, em São Paulo

08/10/2021 12h34Atualizada em 08/10/2021 13h34

A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus seguidores inventam "desculpas esfarrapadas" para justificar o veto à distribuição gratuita de absorventes higiênicos para mulheres. Em participação no UOL News, na tarde de hoje, a parlamentar disse ser mentira que faltam informações sobre a fonte de custeio ou medida compensatória no projeto, como disse o presidente.

"Quando eles dizem que o projeto não tem fonte de financiamento, é mentira. Há sim uma fonte de financiamento bem mapeada, de forma muito clara", afirmou.

A parlamentar explicou que, tanto no projeto apresentado por ela, quanto no relatório final, há a menção a diversas fontes, entre elas ao Fundo Penitenciário, no caso de mulheres presas. Há, ainda, segundo a deputada, referências ao SUS (Sistema Único de Saúde), além de autorização para que as Secretarias de Educação usem recursos para a compra de absorventes.

O projeto previa a distribuição do item para estudantes dos ensinos fundamental e médio, mulheres em situação de vulnerabilidade e para aquelas que estão encarceradas.

Apesar de dizer que foi pega de surpresa porque o trabalho no texto foi longo e feito a partir de uma construção da relatora com o governo, Tabata declarou que a decisão não surpreende por se tratar de um governo que "menospreza, ignora e despreza os direitos de mulheres e meninas".

A deputada também afirmou ter esperança de que o veto seja pautado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para que seja derrubado pelo Congresso. Tabata também disse acreditar na mobilização vista ontem, inclusive de lideranças masculinas e de direita, frente a decisão de Bolsonaro.

Menstruação ainda é um tabu

A parlamentar também lembrou que anteriormente o governo usou outras justificativas para tentar esvaziar o tema. Inclusive dizendo não haver urgência ou que o projeto estava "focalizado demais" e precisaria incluir todas as mulheres.

"A razão por trás disso é que a menstruação é um tabu. É que esse governo é um disparate quando a gente fala dos direitos das mulheres", disse.

A deputada ainda explicou que, apesar de parecer um valor muito alto, o custo para execução do projeto não é exagero. Ela citou a importância de fornecer os absorventes às mulheres em situação de vulnerabilidade.

"Meninas perdem um mês e meio de aula por ano por causa disso [falta de absorventes]. Imaginem o custo para a produtividade, para a autoestima, para a dignidade dessas mulheres. Mulheres são todos os anos internadas com infecções graves, tendo que muitas vezes retirar o útero por uso de coisas erradas, como miolo de pão, jornal, pano velho, entre outras coisas", disse.

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