PUBLICIDADE
Topo

Política

Lula ataca Ciro, diz que Dilma sofreu 'golpe' e se nega a fazer autocrítica

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas a Ciro Gomes - Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas a Ciro Gomes Imagem: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Colaboração para o UOL, em Alagoas

14/10/2021 12h39

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, ao rebater a acusação feita pelo ex-governador Ciro Gomes (PDT), de que o petista "conspirou" para a concretização do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que o pedetista agiu de forma "banal e grosseira", além de se questionar se o político cearense sofreu algum tipo de sequela no cérebro devido à infecção pelo coronavírus.

Em entrevista à Rádio Grande FM, de Dourados, no Mato Grosso do Sul, Lula, inicialmente, disse que preferia não comentar as acusações feitas por Ciro Gomes, por considerar que "o que ele fez foi banal e grosseiro". Em seguida, o petista pontuou que, em situações como essa, ele se recorda de uma fala de Jesus Cristo sobre "perdoar os ignorantes", para suscitar a possibilidade de o ex-governador ter tido algum tipo de sequela pós-covid - em outubro do ano passado, Ciro anunciou que foi diagnosticado com o coronavírus.

"Eu não vou falar do Ciro. O que ele fez ontem foi tão banal, foi tão grosseiro, que às vezes eu fico pensando, como Jesus Cristo na cruz dizia: 'Pai, perdoai os ignorantes, eles não sabem o que fazem'", iniciou. "Eu às vezes fico pensando, não sei se o Ciro teve covid ou não, mas me disseram que quem tem covid tem problemas de sequelas, alguns têm problema no cérebro, de esquecimento, eu não sei. Mas não é possível que um homem que pleiteia a presidência da República possa falar as baixarias que ele falou ontem", continuou, ressaltando lamentar "profundamente que seja assim". "Eu só não sei o que ele está querendo, mas quem planta vento colhe tempestade", completou.

Ontem, em entrevista ao podcast "Estadão Notícias", Ciro Gomes disse estar seguro que Lula "conspirou" para o impeachment de Dilma Rousseff. A fala gerou atrito e a ex-presidente e o ex-governador chegaram a bater boca nas redes sociais. Na ocasião, o pedetista chegou a se dizer arrependido de ter lutado contra a deposição da política do Planalto em 2016, embora classifique o impeachment como um "golpe".

"Golpe" foi a mesma palavra utilizada por Lula para se referir à saída de Rousseff da presidência. À Rádio Grande FM, ele afirmou que a petista foi vítima de "uma mentira chamada pedalada fiscal", além de ter vivido um "inferno astral" no Congresso Nacional, devido ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ), que à época presidia a Câmara.

"Foi uma situação difícil" aquela, analisou o ex-presidente ao lembrar das chamadas pautas bombas que Cunha levou para a Câmara em uma tentativa de desestabilizar o governo de Dilma Rousseff.

Ao analisar a gestão de sua sucessora no Planalto, Lula afirmou que ela "fez coisas extraordinárias", embora admita que Dilma "adotou uma política de desoneração que, na minha opinião, é exagerada". "Quando ela tentou corrigir, você tinha uma figura chamada Eduardo Cunha que começou a estabelecer pautas bombas para que ela tivesse dificuldade de governar", falou, reafirmando sua crença de que Rousseff foi "assaltada do poder".

Lula prefere não fazer autocrítica

Na entrevista, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser questionado sobre a dificuldade de fazer uma autocrítica em relação aos escândalos que saíram na imprensa nos últimos anos sobre casos de corrupção nos governos do PT.

Para o ex-presidente, que se recusou a fazer a autocrítica, "é mais saudável" que as pessoas o critiquem, pois, caso ele fique criticando a si mesmo, não sobrará assunto para os outros falarem.

"Para que eu vou fazer autocrítica se vocês podem me criticar? É mais saudável. Se eu ficar me criticando o que vai sobrar para os outros falarem?", destacou o ex-presidente.

Em outro momento, ao ser questionado sobre as eleições de 2022, Lula disse que ainda não decidiu se disputará o Planalto novamente. Porém, ele adotou um tom de candidato ao ser confrontado com a possibilidade de outras pessoas, como a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) ou a ex-presideciável Manuela D'Ávilla (PCdoB), serem, hipoteticamente, as candidatas apoiadas pelo Partido dos Trabalhadores.

Nesse ponto, o petista afirmou que, "quando aparecer alguém com mais visibilidade de ganhar", o PT tem total liberdade para priorizar outro nome. Porém, ele diz que "candidato a presidente não é um coisa que você vai no programa da Globo e encontra", em uma alfinetada ao apresentador Luciano Huck, que chegou a ser cogitado para o cargo — ele também citou o apresentador da Band, Luiz Datena, que recentemente se filiou ao PSL e pode sair como vice na chapa de Ciro Gomes.

"Candidato a presidente não é uma coisa que você vai no programa da Globo e encontra o Huck, o Faustão, o Datena. Não é assim que se escolhe um candidato. Toda vez que o Brasil escolheu um presidente assim não deu certo", completou Lula, salientando que, em sua opinião, um bom pleiteante ao Planalto deve ter histórico político.

Lula também disse que pode ser um eventual candidato não porque ele queira, mas porque "o partido e os aliados entendem que tenho competência para resolver os problemas que a elite brasileira não tem".

Em relação a ir para as ruas fazer campanha política, o petista destacou que só fará atos públicos quando "tiver garantia científica de que não vou passar problema para os outros, nem para mim, mas estou com muita vontade ir para as ruas".

Por fim, ele alfinetou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao dizer que já tomou a dose de reforça da vacina contra a covid-19 e que tomará outras caso seja necessário. "Estou tomando vacina até na testa porque perdi muitos amigos para a covid. Não tenho aptidão da ignorância que tem o Bolsonaro, porque acredito na ciência e nos médicos".

Negacionista da gravidade da covid e contra as medidas sanitárias estabelecidas para conter o vírus, Jair Bolsonaro afirmou ontem que não se vacinou e tampouco irá permitir que apliquem o imunizante contra a doença em seu corpo.

Política