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Neto de João Goulart reage a veto de Bolsonaro: 'Ataque contra a memória'

Advogado Christopher Goulart, neto do ex-presidente da República João Goulart, diz que veto de Bolsonaro é um ataque contra a memória dos brasileiros - Reprodução
Advogado Christopher Goulart, neto do ex-presidente da República João Goulart, diz que veto de Bolsonaro é um ataque contra a memória dos brasileiros Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

15/10/2021 08h26Atualizada em 15/10/2021 08h33

O advogado Christopher Goulart, neto do ex-presidente da República João Goulart, reagiu ao veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao nome do avô em um trecho da BR-153. Em vídeo publicado nas redes sociais, Christopher diz que o posicionamento é "contraditório" e um ataque contra a memória dos brasileiros.

"É triste, é um ataque contra a memória do povo brasileiro", afirmou Christopher. Ele também classificou como "lamentável" a justificativa de Bolsonaro.

Ao vetar o projeto de lei, Bolsonaro alegou que personalidades da história podem ser homenageadas desde que "não seja inspirada por práticas dissonantes das ambições de um Estado Democrático". O veto publicado no Diário Oficial da União não cita especificamente a quais práticas do ex-presidente se refere.

Jango representa a luz. Jango representa a sapiência e a vontade de um estado muito mais desenvolvido, de um estado brasileiro justo, inclusive, para todos. Bolsonaro representa a ignorância. Bolsonaro representa o terraplanismo. Bolsonaro representa as trevas.
Christopher Goulart, neto de ex-presidente da República

João Goulart presidiu o Brasil de 1961, quando Jânio Quadros renunciou, até o golpe de 1964. A deposição de Jango ocorreu em meio a críticas de opositores que viam sua política excessivamente alinhada à esquerda, sendo que até hoje defensores da Ditadura Militar justificam o golpe como um suposto antídoto a uma "ameaça comunista". Essa visão é contestada por grande parte dos historiadores.

Bolsonaro já afirmou que a ditadura foi um período "um pouco diferente do que vivemos hoje" e exaltou os presidentes militares que governaram o país entre 1964 e 1985. Ao longo de sua trajetória política como deputado, Bolsonaro também defendeu a ditadura, sugeriu o fechamento do Congresso e o fuzilamento do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

No ano passado, em diversas ocasiões manifestantes estiveram em Brasília junto de Bolsonaro para manifestações antidemocráticas que pediam intervenção militar e a volta do AI-5 (Ato Institucional 5), que limitou direitos civis e é considerado um dos momentos mais duros da Ditadura Militar (1964-1985). Políticos e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) reprovaram a participação do presidente nas manifestações.

Presidente é crítico de Goulart

Defensor da ditadura militar, Bolsonaro já tinha se colocado contra uma outra homenagem a João Goulart na época em que era deputado federal, em 2013. Na ocasião, o Congresso Nacional aprovou um projeto que anulou a sessão do Congresso de 2 de abril de 1964, quando foi declarada vaga a Presidência da República, então ocupada por João Goulart.

O argumento usado à época foi que Jango havia fugido do Brasil. Os autores do projeto de resolução ressaltaram que a vacância não poderia ter sido declarada, porque o ex-presidente estava em solo brasileiro, e não no exterior.

Bolsonaro votou contra a homenagem de 2013 reforçando sua posição de apoio ao golpe de 1964, dizendo que ele "salvou o país de um regime ditatorial". "Querem apagar um fato histórico de modo infantil. Isso é mais do que stalinismo, quando se apagavam fotografias, querem apagar o Diário do Congresso", disse na ocasião.

*Com informações de Guilherme Mazieiroo, do UOL, em Brasília, e do Estadão Conteúdo

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