PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Bolsonaro compara CPI à Comissão da Verdade: 'Historinha de fantasia'

O presidente Jair Bolsonaro durante live semanal - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro durante live semanal Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

21/10/2021 20h56

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou hoje o relatório final da CPI da Covid, dizendo que não discutiria "historinhas de fantasia" e comparando as conclusões do colegiado à Comissão da Verdade —grupo que investigou violações de direitos humanos entre 1946 e 1988, período que abrange a ditadura militar.

"O governo está com a consciência tranquila do que nós fizemos, me acusam aí de 11 crimes... não vou discutir uma historinha de fantasia desses caras, parece até a Comissão da Verdade do PT, que fez no passado", declarou ele durante a transmissão ao vivo semanal nas redes sociais.

O texto do relator Renan Calheiros (MDB-AL) sugere que Bolsonaro seja investigado e responsabilizado por nove crimes — entre eles, os previstos no Código Penal, com pena de prisão e/ou multa, crimes contra a humanidade e crimes de responsabilidade, que podem resultar em impeachment.

Reportagem do UOL mostra que, somadas, as punições previstas pelo Código Penal nos crimes comuns imputados a Bolsonaro poderiam chegar a quase 40 anos, em caso de pena máxima. Em hipótese de pena mínima, o mesmo cálculo levaria a pouco mais de 20 anos de detenção.

A CPI não tem poder para punir, mas pode sugerir indiciamentos para o Ministério Público Federal e demais instâncias competentes. O relatório ainda será votado pelos membros da comissão na semana que vem.

Esta não é a primeira vez que o presidente questiona a Comissão da Verdade. Em 2019, ele já havia chamado de "balela" documentos que registram assassinatos cometidos por agentes do regime militar.

A Comissão da Verdade foi criada em 2011, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, e extinta em 2014. O relatório final concluiu que a tortura, a violência, os desaparecimentos e outras práticas caracterizam crimes contra a humanidade, e apontou 377 responsáveis pela repressão.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.