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Renan critica fala sobre aids e vacina e chama Bolsonaro de "serial killer"

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o relatório final da CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o relatório final da CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

26/10/2021 11h20

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), criticou hoje o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelas declarações na qual o governante associa as vacinas contra a covid ao vírus da aids.

O senador chamou o chefe de Executivo federal de "serial killer" e disse ainda considerar que ele tem "responsabilidade pelo morticínio" provocado pela pandemia no país, que registra desde o início do ano passado mais de 600 mil óbitos decorrentes da doença.

"A responsabilidade pelo morticínio no Brasil é de muita gente, mas principalmente do presidente da República, esse serial killer, que continua a repetir tudo que fez anteriormente. Agora, com a afirmação que a vacina pode proporcionar aids, ele demonstra que não zela pela saúde pública", declarou o parlamentar.

Renan disse ter incluído no relatório final da comissão as falas do presidente em que ele associa os imunizantes ao HIV.

"Evidente que nós fizemos um registro que demonstra sobretudo que ele [Bolsonaro] não muda. Ele não aprende. Como a CPI está se encaminhando para o final dos seus trabalhos, ele acha novamente que pode falar sozinho. Ele não pode falar sozinho. O mundo todo já o responsabiliza pelo que aconteceu no Brasil."

As declarações de Bolsonaro ocorreram em uma live realizada na última quinta-feira. Durante a transmissão ao vivo, o presidente usou informações falsas, citando inexistentes "relatórios oficiais" que teriam surgido no Reino Unido, a fim de afirmar que pessoas vacinadas têm mais facilidade para desenvolver a doença provocada pelo vírus HIV.

Ontem, o Facebook e o Instagram retiraram o vídeo da transmissão do ar. Já o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luis Roberto Barroso enviou à PGR (Procuradoria-Geral da República) um pedido de investigação sobre o caso.

O UOL entrou em contato com a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) e esse texto será atualizado quando houver manifestação do presidente.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.