PUBLICIDADE
Topo

Política

Bolsonaro diz à PF que Moro não se empenhou na investigação sobre facada

Eduardo Militão, Carla Araújo e Nathan Lopes

Do UOL, em Brasília e São Paulo

04/11/2021 13h26

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou em depoimento à Polícia Federal ontem (3) que trocou o comando da instituição porque o então ministro da Justiça, Sergio Moro, não teria tido "empenho" em investigações, em especial sobre a da facada que recebeu durante a campanha presidencial, em 2018.

Dois inquéritos da PF foram concluídos mostrando que o autor do crime, Adélio Bispo, agiu sozinho, ao contrário do que argumenta parte dos aliados de Bolsonaro.

As respostas de Bolsonaro foram dadas depois de duas perguntas específicas feitas pelo delegado Leopoldo Lacerda, da Cinq (Coordenação de Inquéritos de Tribunais Superiores), da Polícia Federal.

O presidente disse ao policial que cobrou Sergio Moro sobre a investigação da facada, mas que "não observou nenhum empenho do ex-ministro em solucionar o assunto". O depoimento foi prestado dentro do Palácio do Planalto.

Bolsonaro confirmou que se reuniu com o delegado que conduzia o inquérito junto com o ministro.

"QUE não observou nenhum empenho do ex-ministro SÉRGIO MORO em solucionar o assunto; QUE houve uma apresentação do Delegado responsável peia investigação do atentado com a presença do ex-ministro SÉRGIO MORO", disse Bolsonaro no depoimento. E continuou:

QUE não fez nenhum tipo de pedido na direção da investigação ou qualquer outra interferência no andamento dos trabalhos"
Jair Bolsonaro, presidente

Presidente não viu "preocupação" de Moro

O presidente disse que suposta falta de empenho se repetiu no caso do depoimento prestado por um porteiro do condomínio onde mora no Rio.

Ele afirmou que um suspeito de matar a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) entrou no condomínio dele e se dirigiu à casa de Bolsonaro horas antes dos disparos que mataram a parlamentar. Mas documentos da investigação da Polícia Civil do Rio desmentiram a testemunha.

"QUE também cobrou do ex-ministro SERGIO MORO um maior empenho na investigação sobre as declarações do porteiro do condomínio da sua residência no Rio de Janeiro; QUE também não observou nenhum empenho ou preocupação do ex-ministro SERGIO MORO em solucionar rapidamente o caso."
Jair Bolsonaro, presidente

Segundo o presidente, Moro informou a ele que o porteiro havia cometido um "equívoco".

O então ministro da Justiça ainda teria informado Bolsonaro que o ex-policial militar Ronnie Lessa —envolvido na morte de Marielle— negou que a filha tivesse namorado um dos filhos de Bolsonaro, Jair Renan. "QUE esse esclarecimento veio à tona em razão dos insistentes pedidos do declarante para o ex-ministro SERGIO MORO em solucionar rapidamente o caso", disse Bolsonaro à PF

QUE, portanto, não havia uma proatividade do ex-ministro SERGIO MORO"
Jair Bolsonaro

Defesa de Moro reclama

O advogado do ex-ministro Sergio Moro, Rodrigo Sánchez Rios, divulgou uma nota em que diz que a defesa do ex-ministro foi surpreendida pela notícia de que o presidente prestou depoimento à autoridade policial "sem que a defesa do ex-ministro fosse intimada e comunicada previamente, impedindo seu comparecimento a fim de formular questionamentos pertinentes, nos moldes do que ocorreu por ocasião do depoimento prestado pelo ex-ministro em maio do ano passado".

Segundo a defesa de Moro, "a adoção de procedimento diverso para os dois coinvestigados não se justifica, tendo em vista a necessária isonomia entre os depoentes".

Política