PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
2 meses

Bolsonaro: 'Quer que eu pague do meu salário a ração para 50 emas?'

Do UOL, em São Paulo *

26/11/2021 11h11Atualizada em 26/11/2021 18h48

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou hoje animais e um lago existentes no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, como justificativa para os seus gastos com o cartão corporativo.

"Tem umas 50 emas aqui. Você quer que eu pague do meu salário a ração para elas? Vai no cartão corporativo. [Também] tem um lago lá embaixo com uns peixes", disse Bolsonaro na saída da Alvorada, em vídeo publicado pelo canal Foco do Brasil, no YouTube.

Bolsonaro também afirmou que há cerca de 150 funcionários e 200 militares cuidando de sua segurança no Palácio da Alvorada, o que demanda gastos com pessoal. "Eu sou um alvo", pontuou.

"Sabe quanto eu ganho líquido por mês como presidente? Dá R$ 25 mil. Se é muito ou é pouco? Não sei", disse. "Querem que eu pague (despesas) com meu salário? Eu pago". Segundo Bolsonaro, as discussões sobre esses gastos são feitas "na maldade".

"'Ah, andou de lancha'. Quer que eu pegue um toco de bananeira? Quer que eu vá para uma praia curtir férias de três, quatro dias, às vezes uma semana, e pegue um toco de bananeira ou uma boia de caminhão?", questionou.

Uma ação movida pelo jornal paulista O Estado de S. Paulo para que o governo seja obrigado a revelar a justificativa para cada gasto do cartão corporativo está parada no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

Só em 2021, de janeiro a outubro, os gastos presidenciais com cartão corporativo chegaram a R$ 15,2 milhões. No ano passado, no mesmo período, os gastos foram de R$ 16,2 milhões.

Somente nos quatro primeiros meses de 2020, a fatura presidencial com o cartão corporativo atingiu a marca de R$ 3,7 milhões, representando um aumento de 98% em relação à média dos últimos cinco anos no período.

* Com informações da Estadão Conteúdo, em Brasília

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.