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Política

Sergio Moro receberá salário de R$ 22 mil do Podemos a partir de dezembro

Lucas Valença

Do UOL, em Brasília

30/11/2021 16h39Atualizada em 01/12/2021 14h15

O pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, Sergio Moro, receberá um valor mensal bruto de R$ 22 mil do partido (R$ 15 mil com descontos). Até novembro deste ano, o ex-ministro da Justiça do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) era contratado pela consultoria norte-americana Alvarez & Marsal.

Após a publicação desta reportagem, o Podemos informou que Moro é vice-presidente estadual do partido, no Paraná. De acordo com documento enviado ao UOL pelo Podemos, ele passou a ocupar o cargo no dia que se filiou ao partido, em 10 de novembro —e ficará nesta posição até 7 de novembro de 2022.

Outros pré-candidatos também recebem pagamento mensal pelos seus respectivos partidos. Luiz Inácio Lula da Silva, além do salário de cerca de R$ 12 mil por ser ex-presidente, ganha cerca R$ 27 mil brutos do PT, como presidente de honra da legenda (o valor líquido é R$ 22 mil); e o PDT paga R$ 26,3 mil ao ex-governador Ciro Gomes, que é um dos vice-presidentes do partido (salário líquido de R$ 21,3 mil).

A remuneração de dirigentes partidários é permitida, seja com dinheiro público — recebido por meio do Fundo Partidário — ou privado — arrecadado em doações externas e contribuições de filiados.

Ex-juiz responsável pelos processos da operação Lava Jato em Curitiba, Moro havia sido contratado como sócio-diretor da empresa de consultoria que tem como cliente o grupo Odebrecht, que foi alvo de decisões proferidas por Moro enquanto exercia a magistratura.

A contratação pela empresa foi divulgada nas redes sociais pelo próprio Moro em novembro de 2020. "Ingresso nos quadros da renomada empresa de consultoria internacional Alvarez & Marsal para ajudar as empresas a fazerem a coisa certa", afirmou o ex-ministro à época.

No início de novembro deste ano, porém, a Alvarez & Marsal anunciou oficialmente a rescisão do contrato com o político, alegando que "não mantém profissionais que tenham uma vida pública". Cerca de dez dias depois do comunicado da companhia, Moro se filiou ao Podemos.

Em junho de 2019, a Alvarez & Marsal foi nomeada pela 1ª Vara de Falências de São Paulo como administradora-judicial no processo de recuperação judicial da empreiteira. Pelos serviços prestados, a consultoria passou a receber cerca de R$ 1,1 milhão mensal pelo serviço.

Outras duas empreiteiras alvo de decisões do ex-juiz Moro (a OAS e a Queiroz Galvão) também chegaram a contratar os serviços da consultoria que viria a contratar o agora político.

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