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6 meses

PSB foi empurrado ao apoiar impeachment de Dilma, diz presidente do partido

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/02/2022 12h11Atualizada em 17/02/2022 13h49

Refletindo sobre a postura passada do PSB, o presidente do partido, Carlos Siqueira, disse hoje que foi um erro a legenda ter apoiado o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

"Temos uma autocrítica: foi impensado e fomos empurrados", afirmou Siqueira em entrevista UOL Entrevista. Ainda assim, para o líder do PSB, o assunto já é "coisa do passado", e o foco agora é buscar uma aliança com o PT para construir um "retorno pleno da nossa democracia".

Questionado sobre o que quis dizer ao falar que os políticos do PSB terem sido "empurrados" para o endosso ao impeachment, Siqueira disse que houve forte pressão dos "sistemas de comunicação e do meio financeiro" para apoiar a queda de Dilma.

Ainda assim, segundo ele, a legenda socialista não errou sozinha. "O PSB não foi buscado pelo presidente do PT na época, o Rui Falcão. Ele não me deu um telefonema", afirmou, avaliando que o Partido dos Trabalhadores teve "falta de articulação" com aliados históricos.

Na ocasião da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, o PSB tinha 32 parlamentares na Casa. Destes, 29 votaram a favor da saída da petista, e três, contra. Não foram registradas abstenções ou ausências.

Alckmin no PSB

Sobre a possível entrada de Geraldo Alckmin (sem partido) na legenda como forma de se viabilizar como vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na chapa presidencial para as eleições de outubro, Siqueira disse que a filiação só depende do ex-governador de SP.

"Ele é convidado, bem-vindo e só não vem se não quiser — e também só não será vice-candidato se o presidente Lula não quiser", afirmou Siqueira, que disse que o PSB "não deve insistir" para que o ex-governador se filie à legenda.

"Ele sabe que tem amigos aqui, então sabe que pode vir", afirmou. "E todos sabemos que ele é um homem muito cauteloso, não toma decisões precipitadas", acrescentou.

A entrada de Alckmin, rival histórico de Lula, na vice do petista, começou a ser costurada por Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB), ambos pré-candidatos ao governo de SP.

Na última segunda-feira (14), França disse que a ida de Alckmin ao PSB estava "praticamente certa". O ex-tucano já está com a ficha de filiação em mãos, mas está aguardando definições sobre eleições estaduais e a aliança PT-PSD antes de assiná-la.

Prévias com PT seriam 'cartas marcadas'

Na última terça-feira, para resolver o impasse entre quem deveria sair candidato ao governo de SP em uma eventual aliança entre PT e PSB — se Haddad ou França —, o petista sugeriu a ideia de que fossem realizadas prévias entre os partidos formadores da aliança.

Para Siqueira, porém, o pleito seria um "jogo de cartas marcadas" — ou seja: Haddad venceria sem maiores problemas —, tendo em vista a expressividade do PT ser maior que a do PSB ou a de qualquer outro partido que é cogitado para a aliança — no caso, PCdoB e PV.

"Prévias só têm gerado confusão", afirmou Siqueira, relembrando o que está acontecendo no PSDB, com uma crise interna após a escolha do governador de SP, João Doria (PSDB), para representar a legenda no pleito presidencial em outubro.

A ideia de França para o impasse, porém, é diferente: a realização de uma pesquisa eleitoral pós-Alckmin confirmar filiação ao PSB e o posto de vice de Lula para saber quem, neste cenário, se sairia melhor na corrida rumo ao Palácio dos Bandeirantes.

Em dezembro de 2020, uma pesquisa Datafolha mostrou que, em um cenário com Alckmin, o ex-tucano liderava a disputa estadual com 28% das intenções de voto. Sem o ex-governador, quem liderava era Haddad, com 28%, seguido por França, 19%

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