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Mourão: fala de Barroso é 'indevida, pois Forças Armadas não são crianças'

Vice-presidente general Hamilton Mourão (Republicanos) - Alan Santos/PR
Vice-presidente general Hamilton Mourão (Republicanos) Imagem: Alan Santos/PR

Colaboração para o UOL, em São Paulo*

25/04/2022 19h22Atualizada em 25/04/2022 19h42

O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) classificou hoje como "indevida" a fala do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso sobre haver a intenção de usar as Forças Armadas no cenário político brasileiro para atacar o processo eleitoral no país. A resposta do Ministério da Defesa apontou a declaração do ministro como "irresponsável e constitui-se em ofensa grave".

Em entrevista ao jornal digital GaúchaZH, Mourão, que deve se candidatar ao Senado pelo Rio Grande do Sul, classificou a declaração de Barroso como "indevida" e ponderou que as "Forças Armadas não são uma criança para serem orientadas".

A fala do ministro Barroso foi indevida, pois as Forças Armadas não são uma criança para serem orientadas. Em todo esse processo, elas têm se mantido à parte, sem manifestações de seus comandantes ou de seus integrantes. Hamilton Mourão, vice-presidente da República

Ontem, Barroso havia dito, em conferência da universidade alemã Hertie School, de Berlim, que haveria uma tentativa de instrumentalização do Exército para desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral. O ministro lembrou que, desde 1996, não havia nenhum caso comprovado de fraude em qualquer pleito eleitoral.

O ministro do STF também voltou a defender a integridade das urnas eletrônicas e condenou tentativas de politização dos militares, ressaltando que, até o momento, as Forças Armadas têm resistido a serem objeto das "paixões políticas".

Como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Barroso convidou representantes das Forças Armadas para participarem da Comissão de Transparência, que analisa o processo de apuração eleitoral e o uso das urnas eletrônicas nas eleições deste ano.

"Um fenômeno que em alguma medida é preocupante, mas que até aqui não tem ocorrido, mas é preciso estar atento, é o esforço de politização das Forças Armadas. Esse é um risco real para a democracia e aqui gostaria de dizer que, eu que fui um crítico severo do regime militar, militante contra a ditadura, nesses 33 anos de democracia, se teve uma instituição de onde não veio notícia ruim foi das Forças Armadas. Gosto de trabalhar com fatos e de fazer justiça", enfatizou Barroso na palestra deste domingo.

O ministro afirmou que o Supremo precisa do apoio da sociedade para conseguir enfrentar os ataques e garantir que o resultado das eleições seja respeitado.

"No Brasil, penso que temos uma história de sucesso apesar do esforço contínuo de gerar embates com a Suprema Corte. Nos Estados Unidos, foram 60 ações para tentar anular eleições, duas chegaram à suprema corte e nenhuma acolhida. Cortes constitucionais não têm condições de ganhar briga se lutarem sozinhas. Precisam de sociedade civil. Onde enfrentaram sozinhas, as supremas cortes perderam", alertou.

Defesa diz que declaração é 'irresponsável'

Ainda na noite de ontem, o Ministério da Defesa publicou uma nota para rebater as falas do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso. Para a Defesa, as alegações de Barroso sobre um possível uso das Forças Armadas para ameaçar ou interferir nas eleições deste ano são irresponsáveis e ofensivas.

"Afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral, ainda mais sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável e constitui-se em ofensa grave", disse a nota.

O texto ainda argumentou que a Defesa "repudia qualquer ilação ou insinuação, sem provas, de que elas teriam recebido suposta orientação" para agir contra a democracia.

*Com Estadão Conteúdo

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.