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Oposição quer ouvir Barra Torres sobre interferências políticas na Anvisa

11.mai.221 - O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, em depoimento à CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
11.mai.221 - O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, em depoimento à CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Do UOL, em Brasília

14/05/2022 13h12

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou um requerimento para a realização de uma audiência pública com o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, sobre supostas interferências políticas na indicação de cargos para a autarquia.


O deputado cita a entrevista da diretora Cristiane Jourdan ao blog Política e Saúde, do jornal O Estado de S. Paulo. Cristiane acusou o advogado Daniel Pereira, ex-assessor especial do ministro da saúde Marcelo Queiroga e atual secretário-executivo da pasta, de conduzir um processo interno no Ministério em interesse próprio.

A diretora também disse que há interferência política do Centrão em nomeações na Anvisa e questionou decisões da agência, incluindo o adiamento da decisão sobre o carbendazim, agrotóxico banido nos Estados Unidos e na Europa por suspeita de causar câncer, mas ainda usado nas lavouras do Brasil.

"Fico assustada, como as coisas acontecem lá dentro. Existe uma influência enorme das indústrias, uma influência enorme do Congresso. E vocês entendem o que eu estou falando", disse Cristine.

No requerimento, Valente disse que os fatos são "graves" e que é fundamental que o diretor-presidente da Anvisa compareça à Comissão de Defesa do Consumidor para uma audiência.

Como mostrou o UOL na semana passada, a diretoria da Anvisa adiou a decisão sobre o uso do agrotóxico carbendazim. O julgamento começou em fevereiro deste ano, mas no último dia 27 de abril, foi postergado por quatro votos a um. Na ocasião, a agência optou por ouvir o Ministério da Agricultura e o Ibama antes de tomar uma decisão.

No início deste ano, técnicos da agência concluíram uma análise de impacto regulatório na qual foi recomendado que o produto deva ser banido do país. Foi o primeiro parecer do órgão para reavaliação toxicológica, segundo informou a assessoria da Anvisa. O carbendazim é proibido na Europa desde 2010.

Em 2011, os Estados Unidos encontraram uma quantidade do fungicida banido em terras norte-americanas em um lote de suco de laranja importado do Brasil.

Além das produções de laranja e soja, o agrotóxico é usado em culturas ou no tratamento de sementes de feijão, arroz, maçã, milho, algodão e trigo.

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