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Política

Vídeo: Barroso é interrompido em Oxford e reclama: 'déficit de civilidade'

Do UOL, em São Paulo

25/06/2022 20h11

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso disse que o Brasil sofre "um déficit imenso de civilidade" após ser interrompido quando criticava os defensores do voto impresso. Ele participava de uma palestra no Brazil Forum UK 2022, promovido por estudantes das universidades Oxford e LSE (London School of Economics and Political Science).

"O pensamento conservador, que é legítimo, foi capturado pela grosseria, pela violência, pela falta de respeito. Precisamos resgatar a civilidade, que torna capaz divergir com respeito. Viramos um país de ofensas", disse Barroso, enquanto tentava retomar a palavra durante a exposição.

Na exposição, Barroso contou que foi necessário resistir aos ataques contra a democracia quando presidia o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), entre 2020 e 2022. O ministro classificou de "abominável retrocesso" uma volta ao "voto impresso com contagem pública manual".

É neste ponto (1h13'10'' do vídeo) que Barroso passa a ser interrompido por algumas pessoas na plateia, que dizem ser mentira do ministro afirmar que há a defesa da contagem manual dos votos.

"Isso é mentira, não é contagem manual!", gritou uma mulher. Um homem que estava sentado ao lado dela também gritou: "Como vamos confiar no homem que soltou o maior ladrão do país?".

A mulher que interrompeu Barroso tentou intervir mais vezes durante a palestra, até que os organizadores pediram que ela se retirasse.

Em nota, a organização do seminário disse: "O Brazil Forum UK tem na essência a promoção de diálogo e debates plurais. Pensando nisso, após a apresentação dos palestrantes há espaço para perguntas e respostas, onde há uma interação respeitosa e produtiva com a plateia. A participante em questão, porém, interrompeu a fala do ministro Barroso de forma abrupta e ríspida, deixando clara sua intenção de causar tumulto. Felizmente o episódio foi pontual e rapidamente superado."

Voto impresso

O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem repetido que não confia na urna eletrônica e defende que os votos sejam contados.

O histórico de votações desde a adoção da urna eletrônica —usada parcialmente em 1996 e 1998, e integralmente a partir de 2000— aponta que as eleições brasileiras são confiáveis.

Com a urna eletrônica, nunca houve fraude comprovada nas eleições brasileiras, nem denúncias consideradas relevantes. Essa constatação foi feita não apenas por auditorias realizadas pelo TSE, mas também por investigações do MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos matemáticos e estatísticos independentes.

Além disso, há outros elementos hoje no Brasil que reforçam os resultados de eleições, como pesquisas de intenção de voto e de boca de urna.

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