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Câmara aprova convocação de ministro para explicar denúncias no FNDE

Victor Godoy, ministro da Educação - Clauber Cleber Caetano/PR
Victor Godoy, ministro da Educação Imagem: Clauber Cleber Caetano/PR

Do UOL, em São Paulo

29/06/2022 13h07Atualizada em 29/06/2022 13h12

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou hoje um requerimento que pedia a convocação do ministro da Educação, Victor Godoy, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de irregularidades na liberação de recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). O pedido para convocar o chefe da pasta foi feito pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL).

No requerimento, o parlamentar afirmou que "resta evidenciado o esquema de liberação irregular de verbas por intermédio do gabinete paralelo, para atender aliados políticos, priorizando municípios que tiveram pedidos de verbas negociados diretamente pelos pastores que não possuem vínculo com o ministério, e que isso seria um pedido de [Jair] Bolsonaro".

Ainda segundo Valente, enquanto o governo atendeu aliados, o MEC (Ministério da Educação) bloqueou a liberação de R$ 434 milhões do FNDE para prefeituras de todo o País. "Os valores se referem a obras em 1.369 prefeituras, que, embora aptas a receber dinheiro federal, não tiveram as transferências efetivadas pelo governo", diz o deputado.

Por se tratar de convite, Godoy não pode se recusar a prestar depoimento na comissão quando a convocação for feita.

Escândalo do MEC

A convação de Godoy se dá na esteira da prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura na quarta-feira passada (22) por suspeita de corrupção, prevaricação, tráfico de influência e advocacia administrativa. Eles foram soltos no dia seguinte por decisão do desembargador Ney Bello, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).

A investigação mira suposto balcão de negócios montado dentro do MEC, em que os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura intermediavam repasses do FNDE a prefeituras mediante pagamento de propina.

Inicialmente focada no MEC, a apuração pasta atingiu o Planalto após interceptação da PF captar o ex-ministro da Educação mencionar Bolsonaro em uma conversa com sua filha.

No diálogo, Ribeiro diz que conversou com o presidente, que disse ter tido um "pressentimento" de que o ex-ministro poderia ser alvo da investigação como forma de atingi-lo. A conversa foi divulgada pela GloboNews e obtida pelo UOL.

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