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Vereadores do Recife recusam conceder honraria para Michelle Bolsonaro

Michelle Bolsonaro durante Marcha para Jesus em Brasília - UESLEI MARCELINO/REUTERS
Michelle Bolsonaro durante Marcha para Jesus em Brasília Imagem: UESLEI MARCELINO/REUTERS

Do UOL, em São Paulo

06/07/2022 22h09

Vereadores do Recife negaram a concessão da medalha de mérito Olegária Mariano à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, durante a sessão de ontem. A decisão foi por 16 votos contra a nove a favor.

A proposta era da vereadora Michelle Collins (PP), que é também autora do projeto que criou a medalha. Ela defendeu a homenagem dizendo que a primeira-dama é "uma mulher referência" por ser "simples, humilde, do povo".

"Michelle Bolsonaro me representa. É mulher simples, humilde, do povo, que veio de Ceilândia (DF) e conquistou um espaço que muitas mulheres gostariam de estar. Ela tem feito um trabalho de excelência, tem se posicionado ao lado do povo, como uma mulher que ouve as mulheres carentes e necessitadas", disse.

A medalha busca homenagear mulheres que tenham se dedicado e contribuído com a humanidade. Conforme o projeto, Olegária Mariano era esposa do abolicionista José Mariano, e recebeu o apelido de Mãe dos Pobres e Mãe do Povo, devido a sua bondade e dedicação aos escravos.

No mesmo sentido, o vereador Renato Antunes (PL) defendeu a concessão da honraria, e criticou os posicionamentos contrários. Para ele, a primeira-dama mereceria receber a medalha por ser uma mulher cristã e que "valoriza a vida e a família".

Já a vereadora Liana Cirne (PT) disse ver "deméritos" em Michelle Bolsonaro. Quem também se posicionou contra foi o vereador Osmar Ricardo (PT), que questionou "qual foi o trabalho que a primeira-dama fez ao Recife para justificar essa medalha".

A parlamentar do PCdoB Cida Pedrosa disse que a homenagem a Michelle representaria "homenagear um campo conservador e autoritário". Além disso, a vereadora ressaltou que "não basta ser mulher" para receber a medalha.

"Não basta ser mulher. Tem que ser mulher e defender as causas libertárias, a democracia, ser contra a fome, a miséria, o fascismo, a tortura. Ser antirracista, não ser LGBTQIfóbica", ressaltou.

Também ontem, foi retirada de pauta a votação da concessão da medalha José Mariano, a maior honraria da casa, ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Não há previsão para uma nova votação.

O vereador Dilson Batista (Avante) negou que a decisão tenha sido por pressão política, e disse que foi justificada por fidelidade partidária. Isso porque o partido dele apoiou a candidatura da deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) ao Governo do Estado, e indicou o pré-candidato a vice-governador, deputado Sebastião Oliveira (Avante).

"A gente seria bombardeado. O PSB iria usar de forma covarde essa medalha para tirar o mérito da nossa futura governadora", justificou.

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