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Quaest: cai avaliação ruim do governo Bolsonaro, mas não entre as mulheres

24.jul.2022 - Presidente Jair Bolsonaro chora durante discurso da esposa, Michelle Bolsonaro, durante convenção do PL - Mauro Pimentel/AFP
24.jul.2022 - Presidente Jair Bolsonaro chora durante discurso da esposa, Michelle Bolsonaro, durante convenção do PL Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Do UOL*, em São Paulo

03/08/2022 11h20Atualizada em 03/08/2022 14h33

Quaest - Pesquisa confiável -  -

Pesquisa da Quaest Consultoria contratada pela Genial Investimentos e divulgada hoje aponta uma queda na rejeição do eleitorado ao governo de Jair Bolsonaro (PL) para o público geral. No entanto, o presidente não conseguiu melhorar sua imagem entre as mulheres, apesar dos esforços da campanha de Bolsonaro, que tem investido em uma maior exposição da primeira-dama, Michelle.

A pesquisa apontou 43% de avaliação negativa, o menor nível desde que a pesquisa começou a ser feita, em julho de 2021. Na edição anterior, realizada no início de julho, 47% avaliaram o governo de forma negativa, portanto houve uma queda de quatro pontos nesse índice. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Avaliaram positivamente a gestão Bolsonaro 27% dos entrevistados (oscilou dentro da margem de erro, pois na pesquisa anterior foram 26%), mesmo percentual dos que consideram o governo regular.

A mudança ocorre após novas medidas econômicas, em especial aquelas aprovadas pela PEC dos Auxílios, que aumentou o Auxílio Brasil para R$ 600 até o fim do ano e autorizou auxílios a classes como taxistas e caminhoneiros.

É possível identificar uma recuperação de Bolsonaro diante do eleitorado que recebe o Auxílio Brasil: a avaliação negativa entre esse público caiu de 48% em julho para 39% em agosto; a regular subiu de 26% a 31%, e a positiva foi de 24% para 28%.

Quaest: Avaliação do governo Bolsonaro - Reprodução/Quaest Consultoria - Reprodução/Quaest Consultoria
Evolução da avaliação do governo Bolsonaro, segundo a pesquisa da Quaest Consultoria
Imagem: Reprodução/Quaest Consultoria

Rejeição entre as mulheres

Evolução da avaliação das mulheres a respeito do governo Bolsonaro, segundo a pesquisa Quaest - Reprodução/Quaest Consultoria - Reprodução/Quaest Consultoria
Evolução da avaliação das mulheres a respeito do governo Bolsonaro, segundo a pesquisa Quaest
Imagem: Reprodução/Quaest Consultoria

A gestão de Bolsonaro é mais rejeitada pelas mulheres do que pelos homens: 48% do eleitorado feminino avalia negativamente o governo, ante 49% da pesquisa anterior —houve uma oscilação de um ponto, dentro da margem de erro.

A campanha de Bolsonaro busca uma maior participação da primeira-dama Michelle Bolsonaro —a única, além do marido, a discursar na convenção do PL que oficializou a candidatura—, enquanto aliados também avançam com estratégias de publicação dizendo que Bolsonaro é o presidente que "mais lutou" pelas mulheres.

Mesmo assim, Bolsonaro segue fazendo comentários misóginos e tem um histórico marcado sobre o tema, que já o levou a ser condenado a indenizar a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, por danos morais.

Melhora entre os homens

Evolução da avaliação de homens para o governo Bolsonaro, segundo a pesquisa Quaest - Reprodução/Quaest Consultoria - Reprodução/Quaest Consultoria
Evolução da avaliação de homens para o governo Bolsonaro, segundo a pesquisa Quaest
Imagem: Reprodução/Quaest Consultoria

Enquanto segue em baixa perante o público feminino, a imagem do governo Bolsonaro evoluiu entre os homens. 37% do eleitorado masculino avaliou negativamente a gestão, uma queda de sete pontos percentuais em relação à rejeição passada.

A avaliação positiva subiu de 25% para 32%, e 29% consideram o governo regular.

O levantamento ouviu 2.000 pessoas face a face, entre os dias 28 e 31 de julho. O índice de confiança, segundo o instituto, é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-02546/2022 e custou R$ 139.005,86.

Bolsonaro está pior do que FHC, Lula e Dilma

Os indicativos negativos em relação ao governo Bolsonaro superam os registrados por ex-presidentes que buscaram a reeleição. Esta análise é possível com dados do Instituto Datafolha divulgados na última semana, já que a Quaest não possui registros dos governos anteriores.

O Datafolha mostra que as rejeições a Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) a aproximadamente dois meses das eleições —os três venceram nas urnas para um segundo mandato— eram menores do que o patamar de Bolsonaro.

Veja os números a seguir:

Governo Bolsonaro (julho de 2022)

  • Aprovação: 28%
  • Rejeição: 45%

Governo Dilma (julho de 2014)

  • Aprovação: 32%
  • Rejeição: 29%

Governo Lula (julho de 2006)

  • Aprovação: 38%
  • Rejeição: 21%

Governo FHC (julho de 1998)

  • Aprovação: 38%
  • Rejeição: 19%

Impactos eleitorais

A diminuição na avaliação negativa do governo Bolsonaro ainda não foi refletida com o mesmo peso nas intenções de voto para a Presidência da República.

A Quaest aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança para a Presidência, com 44% das intenções de voto no cenário estimulado, quando os eleitores escolhem a partir de uma lista de pré-candidatos, enquanto Bolsonaro tem 32%.

Em comparação com a última pesquisa presidencial e nacional deste instituto, Lula e Bolsonaro oscilaram dentro da margem de erro. No mês passado, o petista tinha 45%, e o presidenciável do PL aparecia com 31%.

No cenário principal, após Lula e Bolsonaro, vem numericamente Ciro Gomes (PDT), com 5%. Ele empata tecnicamente com André Janones (Avante), com 2%; Simone Tebet (MDB), com 2%; e Pablo Marçal (Pros), com 1%. Os demais candidatos não pontuaram.

O Quaest é um instituto de pesquisas com sede em Belo Horizonte. Até 2020, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empresa realizava pesquisas eleitorais só em Minas Gerais. Hoje, faz levantamentos sobre intenções de voto para presidente, governador e para o Senado em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. O instituto tem uma parceria com a Genial Investimentos, a qual financia levantamentos para as eleições de 2022. As pesquisas são realizadas com entrevistas presenciais.

*Com informações de Isabella Cavalcante, do UOL.

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