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Política

Molon mantém candidatura e diz que nunca houve acordo com PT por Senado

Do UOL, em São Paulo

05/08/2022 17h46Atualizada em 05/08/2022 18h42

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) anunciou hoje que mantém sua candidatura ao Senado Federal pelo PSB. Ele disse que tanto a direção estadual do PSB no Rio quanto a direção nacional do partido nunca fecharam acordo com PT sobre a vaga da disputa ao Senado pela aliança em torno da candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio.

"Quero deixar claro que nunca houve um acordo do PSB com PT para que essa vaga fosse cedida para o PT", disse o deputado em coletiva de imprensa na tarde de hoje.

A decisão de Molon vem em meio a embates com o PT no estado pela definição de um nome em parceria com PSB.

O deputado, que é presidente do diretório fluminense do PSB, afirmou nunca ter autorizado nem participado de negociações sobre a candidatura para o Senado. Molon garantiu que apoiará a eleição de Lula.

"Com toda certeza vou fazer campanha para o Lula. Lula é meu candidato à Presidência da República. Estou com Lula independente de qualquer coisa porque eu acredito que ele é o melhor candidato nessas eleições por uma série de razões para derrotar Bolsonaro", afirmou.

Mais cedo, o PT anunciou a decisão de manter o apoio à candidatura de Freixo ao governo do estado e frisou que só tem um candidato à vaga ao Senado na chapa, o deputado estadual André Ceciliano (PT-RJ), presidente de Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Isso [acordo] nunca foi dito para o PT seja pela direção estadual seja pela direção nacional Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ)

Petistas falam em acordo

O Rio de Janeiro foi o último estado em que ainda havia um entrave entre os dois partidos que compõem a chapa principal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os petistas, havia um acordo firmado previamente que, em contrapartida de Lula endossar o nome de Freixo no estado, o candidato ao Senado seria indicado pelo PT.

Embora o apoio a Freixo já estivesse selado, inclusive com visita e palanque junto a Lula no mês passado, a insistência do lançamento da candidatura de Molon foi vista como uma quebra no acordo entre as duas siglas.

Molon sofreu pressão dentro do próprio partido para que desistisse da candidatura ao Senado, visando manter a aliança com o PT intacta. No entanto, o deputado garantiu que estará no palanque com Marcelo Freixo, mesmo sem apoio do PT.

"Nós estaremos no palanque do Marcelo Freixo porque a candidatura do PSB é de vários outros partidos. Não eliminaremos a presença de qualquer partido do palanque do Marcelo Freixo. Nós nunca advogamos para impedir que outros partidos estivessem com nosso candidato", disse Molon.

Internamente, a avaliação do PT é que o deputado do PSB tem melhor desempenho com a esquerda da cidade do Rio de Janeiro, com trânsito entre artistas. Mas, ainda segundo apuração do UOL, Molon não teria espaço na Baixada ou no interior, onde Ceciliano, como candidato apoiado por Lula, apresentaria mais potencial.

Molon também não participou da convenção nacional do PSB, em 29 de julho, que referendou o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa presidencial e teve a presença de Lula.

No começo da semana, o diretório estadual do PT no Rio defendeu romper a aliança com Freixo, mas o vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, que sempre se declarou a favor do rompimento, desistiu do movimento. Freixo tem aparecido em segundo lugar nas pesquisas, atrás do governador Cláudio Castro (PL).

O martelo foi batido no começo da tarde de hoje, último dia para realização das convenções partidárias segundo calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, publicou a decisão em suas redes sociais. "A Comissão Executiva Nacional do PT confirma o apoio à chapa Marcelo Freixo (PSB) para governador e André Ceciliano (PT) para senador no Rio de Janeiro", escreveu Hoffmann.

Essa posição por parte do partido já era esperada. Ontem (4), Gleisi já havia adiantado que o PT não abriria mão da candidatura de Ceciliano e esperava que o PSB cumprisse o acordo para fortalecer a união de Lula e Freixo.

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