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Vaga no Senado, quebra de acordo: por que PT e PSB podem romper no Rio?

Lula e Marcelo Freixo posam com o deputado estadual André Ceciliano, pré-candidato do PT ao Senado no Rio - Ricardo Stuckert/ Divulgação
Lula e Marcelo Freixo posam com o deputado estadual André Ceciliano, pré-candidato do PT ao Senado no Rio Imagem: Ricardo Stuckert/ Divulgação

Do UOL, em São Paulo

03/08/2022 18h37

Uma resolução do diretório fluminense do PT, divulgada ontem, expôs um impasse que ameaça o palanque do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio de Janeiro. Em nota à imprensa, o PT-RJ defendeu a retirada do apoio ao deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ), que vem aparecendo em segundo lugar nas pesquisas para o governo do Rio.

Até agora, as direções nacionais de PT e PSB ainda não se posicionaram sobre a manifestação dos petistas do Rio de Janeiro. A depender da decisão da Executiva Nacional do PT, que deve ser tomada amanhã, as candidaturas de Lula e Freixo podem acabar enfraquecidas no terceiro maior colégio eleitoral do país, a menos de dois meses do primeiro turno das eleições.

Entenda quais são os impasses e os possíveis impactos da situação que pode rachar a aliança entre PT e PSB no Rio:

Por que o PT-RJ quer romper com Freixo? O motivo da divergência é uma disputa pelo Senado entre o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e o deputado estadual André Ceciliano (PT-RJ), presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Enquanto o PT-RJ afirma que houve um acordo das legendas em torno da candidatura de Ceciliano, Molon nega ter aberto mão de concorrer e sustenta que tem apoio de uma aliança de siglas de esquerda para sair candidato.

O PT Nacional também vai romper com Freixo? Ainda não se sabe. Desde que o PT-RJ divulgou a resolução propondo rompimento com Freixo, a executiva nacional do partido não se pronunciou.

No final de julho, o PT definiu que não terá candidato próprio ao governo do Rio e abriu caminho para apoiar Freixo. Até o momento, Lula não comentou o caso, mas vem dando várias manifestações de apoio ao candidato do PSB nas últimas semanas.

Quando a situação será resolvida? Segundo apurou o UOL, a executiva nacional do partido fará uma reunião virtual na manhã desta quinta-feira (4). A ideia do partido é examinar não apenas o caso do Rio, mas também de outros estados onde as alianças ainda não foram fechadas. O partido corre contra o tempo para definir o assunto até sexta (5), data-limite para as convenções partidárias.

O que argumenta o PT-RJ? Segundo o diretório petista no Rio, o PSB nacional tinha um acordo com o PT nacional e o PT-RJ para formar uma chapa com Marcelo Freixo para governador e André Ceciliano para Senador.

O presidente estadual do PT-RJ, João Maurício, afirma que Molon adotou "uma posição egoísta, divisionista e isolada" ao manter a candidatura, e sustenta que o acordo pró-Ceciliano foi aceito inclusive por Freixo. O candidato a governador, contudo, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), uma das maiores lideranças do partido no estado, está alinhada com a posição do diretório fluminense. Em áudio vazado hoje, ela reforça o argumento de que o PT abriu mão de lançar candidato ao governo com a condição de que Ceciliano dispute o Senado com apoio do PSB.

O que argumenta o PSB? O partido também não se manifestou desde que o PT-RJ propôs o rompimento com Freixo. Molon, por sua vez, publicou uma nota afirmando que jamais abdicou de sua candidatura e que tem apoio de quatro partidos —PSB, PSOL, Rede e Cidadania— para se lançar ao Senado.

Molon também citou uma pesquisa recente, em que lidera as intenções de voto para o Senado, tecnicamente empatado com o senador Romário (PL-RJ). Outro trunfo que o candidato exibe nas redes é o apoio de famosos: nomes como a cantora Anitta e o ator Marcos Palmeira declararam que querem votar em Molon.

Quem deve perder mais com um eventual rompimento? Segundo a professora Carolina Almeida de Paula, doutora em ciência política pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), tanto Lula quanto Freixo perderão se a aliança for quebrada, mas o prejuízo maior deverá ser do candidato do PSB.

"Para o Freixo, a perda seria maior. Ele precisa desse apoio do Lula especialmente nas regiões mais periféricas, nas comunidades, e também no interior do Estado, onde ele tem uma taxa de desconhecimento mais alta. Ele é bastante conhecido na capital, mas não tanto no interior", avalia.

O racha entre PT e PSB é restrito ao Rio de Janeiro? Não. Apenas no Nordeste, há três estados em que os partidos concorrerão em lados opostos na disputa para governador. Na Paraíba e e em Alagoas, o PT se coligou com o MDB, enquanto no Ceará os petistas terão candidato próprio.

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