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Garimpeiros estão deixando terra yanomami após bloqueio aéreo, diz ministra

04/02/2023 17h29

O governo federal diz ter informações de inteligência sobre um fluxo relevante de garimpeiros que estão deixando a Terra Indígena Yanomami.

Temos essa informação de que muitos garimpeiros estão saindo. É bom que saiam, assim a gente diminui a operação que vai ser feita. Se eles saem sem precisar da força policial, é melhor para todo mundo.
Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas

De acordo com a ministra, fontes locais, como os próprios indígenas e as equipes do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indigena) Yanomami, corroboram a informação sobre o êxodo de garimpeiros.

A movimentação ocorre após o presidente Lula ter decretado o bloqueio aéreo da região, inviabilizando a logística do garimpo.

Guajajara faz hoje uma nova visita a Roraima para acompanhar a situação dos yanomamis, que vivem uma crise de emergência sanitária.

Guajajara diz que o governo federal elabora um plano para transportar os garimpeiros. Também há estudos para evitar que os envolvidos com a exploração ilegal de ouro migrem para outras terras indígenas —como ocorreu em 1992, na primeira operação maciça de desintrusão do garimpo na Terra Indígena Yanomami.

Junto com o plano de remoção dos garimpeiros, realizado com a colaboração do governo de Roraima, o governo federal tomará outras iniciativas para solucionar a crise.

A ministra anunciou a construção de um hospital de campanha na região do Surucucu, uma das principais concentrações de indígenas dentro da área demarcada. Para isso, a pista de pouso do batalhão do Exército que atua na região será reformada —é preciso que ela volte a comportar grandes aeronaves para que a estrutura seja levada até o local.

"O que temos agora ainda é essa realidade de que temos que remover os pacientes para a Casai [Casa de Saúde do Indígena], em Boavista. Mas estamos reformando a pista para que esse plano possa ser trabalhado".

75 toneladas de alimentos e medicamentos

Em balanço divulgado hoje, o governo federal informou que já distribuiu 75 toneladas de alimentos e medicamentos para a Terra Indígena Yanomami. Os insumos foram transportados por aviões e helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira).

As 75 toneladas correspondem a 3.785 cestas básicas. Boa parte delas foi entregue por meio de lançamentos com paraquedas. A estratégia está sendo adotada por conta da falta de condições para pousos de aviões de grande porte na região.

No hospital de campanha montado pela FAB no Cesai foram realizados até agora 600 atendimentos. Outras 37 pessoas em estado grave de saúde foram transportadas da Terra Indígena Yanomami para receberem atendimento médico em Boavista.