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Ibama detém homens que abasteceriam garimpeiros em Terra Yanomami; veja

Pedro Vilas Boas e Vinicius Nunes

Colaboração para o UOL, em Salvador e em Brasília

08/02/2023 17h35Atualizada em 08/02/2023 18h59

Vídeo do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) mostra agentes abordando um barco perto do território yanomami no rio Uraricoera, a cerca de 100 km de Boa Vista (RR). Oito homens são detidos.

Eles transportavam combustível e alimentos que abasteceriam acampamentos de garimpeiros no território yanomami.

A abordagem é parte da ação do Ibama que deu início hoje (6) à operação contra o garimpo ilegal no território yanomami, em Roraima, com apoio da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e da Força Nacional.

Ontem, o órgão destruiu um helicóptero, um avião, um trator de esteira e estruturas de apoio logístico ao garimpo. Também foram apreendidas duas armas e três barcos com cerca de 5 mil litros de combustível.

Ações realizadas pelos agentes:

  • Instalada base de controle no rio Uraricoera para impedir o fluxo de suprimentos para os garimpos;
  • Além de gasolina e diesel, as "voadeiras" de 12 metros carregavam cerca de uma tonelada de alimentos, freezers, geradores e antenas de internet. Todos os suprimentos foram apreendidos e serão usados para abastecer a base de controle;
  • Nenhuma embarcação com carregamento de combustível e equipamentos será autorizada a seguir daquele ponto de bloqueio em direção aos garimpos.

Segundo o Ibama, o objetivo principal da operação é inviabilizar linhas de suprimento e rotas que abastecem e escoam a produção do garimpo, além de garantir a permanência das equipes de fiscalização por prazo indeterminado. As ações foram acompanhadas pela Procuradoria Nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente, da AGU (Advocacia-Geral da União).

Ao menos 15 mil garimpeiros

O ministro da Justiça, Flávio Dino, confirmou na segunda (6) que garimpeiros têm saído da Terra Yanomami em Roraima, mas que o governo está investigando os financiadores dessa atividade ilegal.

O governo Lula (PT) avalia que existam ao menos 15 mil garimpeiros ilegais no local, mas o número pode chegar a 40 mil.

Dino chamou a situação de "afastamento compulsório" e disse que as ações da pasta estarão voltadas à apreensão e destruição de equipamentos e de pistas clandestinas de pouso de aeronaves.

O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Ricardo Weibe Tapeba, disse, durante coletiva de imprensa realizada em Boa Vista (RR) ontem, que os DSEIs (Distrito Sanitário Especial Indígena), incluindo o yanomami, foram "aparelhados" por políticos do estado.

Tapeba ainda afirmou que esses políticos —que teriam prejudicado a atuação das equipes dos DSEIs— também mantêm ligação com garimpeiros.