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Lula admite erros da esquerda e pede que críticas sejam feitas no privado

Eduarda Esteves e Carolina Nogueira

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo e Brasília

29/06/2023 21h06Atualizada em 29/06/2023 22h10

O presidente Lula (PT) afirmou hoje que que reconhece "erros" da esquerda, mas defendeu que críticas devem ser feitas no privado. Declaração foi feita durante abertura do 26º Encontro do Foro de São Paulo, em Brasília.

O que disse Lula

O presidente argumentou que a esquerda não deve fazer críticas públicas, pois isso "alimenta" a extrema direita. "Nós precisamos tentar discutir os nossos erros para que possamos corrigi-los. Mas eu não acho, companheira Gleisi [Hoffmann], que a gente, entre a esquerda, possa um ficar fazendo crítica ao outro", disse.

Lula defendeu que as críticas sejam feitas "entre amigos", pessoalmente. "Se nós tivermos algum problema com algum companheiro, tem que conversar pessoalmente, em vez de criticá-los publicamente. Eu sou presidente da República, mas nenhum de vocês está proibido de me fazer crítica por erro que eu possa cometer. Do contrário, a gente não é companheiro e aliado de verdade. Aliado não é aquele que está toda hora agradando e alisando", declarou Lula.

Lula citou derrotas do campo progressista. Mencionou o impeachment de Dilma Rousseff e o governo neoliberal de Mauricio Macri, na Argentina. "Em vez de ficar lamentando, temos de tirar lições de onde erramos. Impeachment da Dilma foi só erro da extrema direita, ou nós temos erros enquanto partido político?."

O presidente também citou a admiração por Fidel Castro, líder da Revolução Cubana que implantou uma ditadura no país. Segundo ele, Fidel sempre o criticou pessoalmente e o elogiou publicamente. "Muitas vezes nós, da esquerda latino-americana, nos autodestruímos".

Lula destacou que é "melhor" um aliado político "cometendo alguns equívocos" do que ter a direita governando. "É muito melhor ter um companheiro da gente cometendo alguns equívocos para a gente criticar, do que ter alguém de direita governando que não permite sequer que a gente tenha espaço para fazer crítica."

No Brasil, nós aprendemos. Quatro anos da extrema direita foi uma lição para todos nós. Ou nós criamos juízo, ou nós nos organizamos, ou nós trabalhamos para resolver os problemas da sociedade brasileira, sobretudo com a questão da inclusão social, ou a extrema direita está aí contando mentiras, utilizando fake news, violentando qualquer parâmetro de dignidade para voltar ao poder."
Lula durante abertura do Foro de São Paulo

O petista também afirmou que não se ofende em ser chamado de "comunista". Defendeu que pessoas que se identificam com a esquerda só devem se sentir ofendidos quando são chamados de "nazistas".

Eles nos acusam de comunistas, achando que ficamos ofendidos com isso. Nós não ficamos ofendidos. Nós ficaríamos ofendidos se nos chamassem de nazista, de fascista, de terrorista. Mas de comunista, de socialista, nunca. Isso não nos ofende. Isso nos orgulha muitas vezes."

O presidente afirmou ainda que é preciso "meditar", de vez em quando, para "evitar que novos erros atravessem a caminhada da gente pela conquista da qualidade de vida para o nosso povo".