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CPI do MST foi um fracasso, diz líder do movimento: 'Vencemos pela 5ª vez'

Em entrevista ao UOL News desta quarta-feira (27), o coordenador nacional do Movimento Sem Terra, João Paulo Rodrigues, comemorou o fim da CPI do MST na Câmara dos Deputados, encerrada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) nesta quarta-feira (27) sem votação do relatório final.

Para o dirigente do movimento, a CPI, que tinha como presidente e relator da comissão, os deputados federais Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), respectivamente, não passou de uma demonstração de perseguição política.

Nosso movimento saiu da CPI com uma demonstração de perseguição contra o nosso movimento. Uma demonstração de que essa CPI tinha a todo o momento a tentativa de isolar o Movimento Sem Terra do povo brasileiro e foi um fracasso João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do Movimento Sem Terra

Nós anunciamos que a CPI não tinha foco, não tinha um espaço de trabalho pré-determinado, isso porque a vontade dos deputados da direita era somente ter um palanque para destilar ódio contra os componentes do movimento.

Rodrigues afirmou ainda que, embora deputados envolvidos nos trabalhos da CPI tenham tentado associar o movimento a práticas criminosas, nenhuma irregularidade foi encontrada.

Eles não conseguiram comprovar em nenhum momento que o MST é uma organização criminosa, que invade terra. Os juristas que compareceram deixaram muito claro que a ocupação de terras improdutivas não é crime. A CPI foi lá e não conseguiu encontrar nenhum vínculo do MST que pudesse criminalizar a nossa organização, nem com uso de dinheiro público, nem qualquer coisa referente à corrupção.

Teve que baixar o nível, indo nos acampamentos e assentamentos para criminalizar os indivíduos. Ora por relações pessoais, por comportamento, e forjou toda a farsa de fakenews a partir das pessoas que foram afastadas ou expulsas do MST justamente porque cometeram crime. Esses foram as pessoas que eles ouviram para falar contra o nosso movimento. Hoje é um dia de vitória, não do MST, mas de todos aqueles que acreditam e confiam na reforma agrária.

O coordenador nacional do MST enfatizou também que o fracasso da CPI pode abrir caminho para o governo implementar um programa de reforma agrária.

Acho que de modo geral abriu uma avenida se o governo querer (sic), e acho que quer, fazer um grande programa de reforma agrária. Além de enfraquecer a parte fascista, a parte violenta bolsonarista, que passou todo o momento tentando armar fazendeiros e jogar eles contra a democracia, eu acho que tanto na CPI do Dia 8, como do MST, esse setor está sendo isolado e afastado da vida pública política de credibilidade do Congresso Nacional como um todo.

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Reforçou que o problema da agricultura no Brasil pode ser resolvido com uma agenda econômica e ambiental muito bem definida, casando a produção de alimentos saudáveis com preservação ambiental.

O Brasil produz hoje aproximadamente em 100 milhões de hectares. Nós não precisamos desmatar mais nenhum pedaço dela. É possível ainda assentar famílias nas áreas que já estão desmatadas e construir um grande programa de agricultura na qual a questão central seja a recuperação ambiental combinada com a produção de alimentos

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