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Couto: Tarcísio repete discurso antidemocrático de Bolsonaro em marcha

Em um discurso de tom religioso na Marcha para Jesus de hoje (30), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), repetiu de forma indireta, mas com a mesma essência, o discurso antidemocrático do ex-presidente Jair Bolsonaro, excludente em relação a quem não professa da mesma fé. A análise é do cientista político Cláudio Couto, que participou do UOL News desta quinta-feira (30).

"Quem são vocês, quem somos nós? Somos os escolhidos", disse Tarcísio. "Ele já está pregando melhor que muito pastor", brincou o pastor Estevam Hernandes, organizador do evento. A Marcha para Jesus reuniu políticos e organização esperava 2 milhões de fiéis.

Há vários problemas [com essa ideia]. Claro que você está dizendo que existe uma parcela da sociedade, talvez aqueles que estejam ali, que são os escolhidos, aqueles que na realidade constituem eventualmente um verdadeiro povo ou um bom povo. Enquanto os demais seriam o quê? É uma leitura excludente da religião, evidentemente.(...) Foi uma prática perpetrada não só por ele, a gente viu isso também sendo feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o mentor político do Tarcísio de Freitas, dizendo que havia uma parcela do povo que era uma maioria, uma maioria cristã, e que essa é que devia ter os seus interesses, os seus direitos assegurados, sendo que ele falava que se deve governar para a maioria (...) e a minoria que se curvasse, se submetesse e caísse fora. Isso eram palavras do Bolsonaro ditas exatamente dessa maneira.

O que Tarcísio está dizendo, com uma forma um pouco mais, talvez, indireta, é a mesma coisa. Se existem os eleitos e os não eleitos. Existem aqueles destinados à salvação —ou a serem os beneficiados pelo governo, aqueles que vão ser protegidos pela lei— e os que não são. Então, acho que é realmente uma leitura complicada, antidemocrática porque antipluralista. E a gente sabe que governos têm que governar para todos, não têm que governar para uma parcela da sociedade e deixar a outra à míngua.

Isso tudo sendo feito por uma instrumentalização que me parece tremendamente oportunista da religião. É curioso, porque a gente não via o Tarcísio falando tanto de questões religiosas até pouco tempo atrás. Mas nos últimos dois meses, talvez, a gente vê uma inflexão dele muito forte no sentido de assumir de maneira mais clara esse discurso extremista do bolsonarismo. Claudio Couto, cientista político

Kotscho: Em Marcha, prefeito de São Paulo se presta a papel de ajudante de pastor

Também no UOL News de hoje, o comentarista Ricardo Kotscho afirmou que ao segurar o microfone e cantar no palco da Marcha para Jesus nesta quinta-feira (30), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) assumiu um papel de ajudante de pastor.

Como é que pode o prefeito de São Paulo se prestar a esse papel? De ajudante a pastor. Decorou algumas palavras, não chegou a cantar. Não chega a ser uma oração também, não sei exatamente o que é isso. Ricardo Kotscho, comentarista do UOL News

Mas não é uma coisa que dignifique o cargo de prefeito de São Paulo. Ele tá muito alegre, efusivo. Isso é uma coisa que não é boa para o país, essa mistura de política com religião. Ele dizer que o povo evangélico gosta muito dele, isso é muito forçar a barra. Ricardo Kotscho, comentarista do UOL News

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