USP promove diplomação de estudante morta na ditadura militar
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A Faculdade de Educação da USP realizará no dia 3 de abril uma cerimônia de diplomação da estudante de pedagogia Lígia Maria Salgado Nóbrega, perseguida e morta aos 24 anos pela ditadura militar.
O que aconteceu
Lígia foi uma das vítimas de um episódio que ficou conhecido como Chacina do Quintino, no Rio de Janeiro, em março de 1972. Ela e outros dois estudantes, Antônio Marcos Pinto de Oliveira e Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, morreram em um cerco policial a uma casa no bairro do Quintino.
Na época, a estudante estava grávida. Lígia era militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, um dos grupos de resistência contra a repressão do regime militar.
Versão oficial do regime dizia que os policiais foram recebidos à bala e que os militantes resistiram à abordagem. No entanto, laudos cadavéricos não encontraram pólvora nas mãos das vítimas, e testemunhas afirmaram que não houve resistência.
Em 2013, a Comissão da Verdade do Rio apresentou conclusões das investigações e revelou que os estudantes foram torturados. "Temos a convicção que o que se passou foi uma execução sumária dos militantes", afirmou na época o presidente da comissão, Wadih Damous.
Cerimônia faz parte do projeto Diplomação da Resistência. Segundo a USP, a iniciativa tem como objetivo conceder diplomas honoríficos aos 31 estudantes mortos durante a ditadura militar brasileira, a fim de reparar as injustiças e honrar a memória dos ex-alunos.
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