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Após acusações de xenofobia, Trump deixa de chamar coronavírus de "vírus chinês"

17.mar.2020 - Donald Trump em coletiva na Casa Branca sobre o coronavírus - Jonathan Ernst/Reuters
17.mar.2020 - Donald Trump em coletiva na Casa Branca sobre o coronavírus Imagem: Jonathan Ernst/Reuters

25/03/2020 08h11

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira que decidiu parar de se referir ao coronavírus causador da Covid-19 como "o vírus chinês", um costume que levou a acusações de xenofobia e críticas de que ele não reflete adequadamente a natureza da pandemia.

"Todos sabem que isso vem da China, mas decidi que também não temos de dar tanta importância a isso. Acredito que dei muita importância e que as pessoas entendem", disse Trump em entrevista à rede de televisão "Fox News".

Na semana passada, Trump aumentou as referências ao "vírus chinês" ao ponto de riscar a palavra "coronavírus" nos papéis onde havia preparado suas declarações para a imprensa e escrever à mão a expressão, amplamente utilizada por comentaristas de direita nos Estados Unidos.

No entanto, durante uma entrevista coletiva realizada na segunda-feira, um fotógrafo conseguiu tirar uma foto do papel em que estava o discurso de Trump, e desta vez o presidente havia riscado a palavra "chinês" para se referir ao patógeno apenas como "vírus".

Além disso, havia um parágrafo aparentemente acrescentado de última hora ao discurso de Trump - estava em um papel colado por cima de outro trecho - que ressaltava a importância de "proteger plenamente a comunidade asiático-americana" no país.

Na entrevista à "Fox News", Trump lembrou que não gostou de ver a China "acusando" soldados americanos de introduzir o coronavírus no país asiático durante uma visita à região de Wuhan em outubro, teoria compartilhada neste mês por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

Esse fato pareceu motivar os esforços de Trump para usar o termo "vírus chinês" muitas vezes na semana passada, algo que aparentemente funcionou bem entre sua base eleitoral.

Embora Trump tenha dito que não "lamenta" ter usado essa frase, também salientou que tem "um relacionamento muito bom com o presidente (chinês) Xi (Jinping)" e que o país asiático "passou um inferno" por causa da crise do coronavírus.

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