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3 meses

12 cidades furam restrições de Doria e litoral de SP tem praias cheias

08.set.2020 0 Movimento de banhistas em praia da cidade de Santos, em São Paulo - Marcela Mattos/O Fotográfico/Estadão Conteúdo
08.set.2020 0 Movimento de banhistas em praia da cidade de Santos, em São Paulo Imagem: Marcela Mattos/O Fotográfico/Estadão Conteúdo

Ana Paula Niederauer, com colaboração de Salim Burihan e Lucas Melo

São Paulo

27/12/2020 07h48Atualizada em 27/12/2020 16h40

Prefeituras de 12 cidades do litoral de São Paulo decidiram não cumprir a determinação do governo estadual que colocou temporariamente todos os municípios do Estado na fase vermelha do Plano São Paulo para conter o avanço da contaminação por coronavírus. O fim de semana começou com grande movimentação turística e praias cheias. As cidades dizem ter reforçado a fiscalização dos protocolos.

"A decisão do estado foi muito em cima da hora. A maioria dos comerciantes já tinha feito estoques e contratado mão de obra extra para o período. Se seguíssemos o decreto iríamos causar prejuízos e desemprego. Estamos atentos, se for preciso adotaremos medidas restritivas", disse o prefeito de Caraguatatuba, Aguilar Junior (MDB).

Além de Caraguatatuba, entre as cidades que vão manter a fase amarela estão os nove municípios da Baixada Santista (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Vicente), além de Ubatuba e São Sebastião, no litoral norte. Mogi das Cruzes e Cotia, na Grande São Paulo, e Bauru, no interior, também decidiram não restringir as medidas contra a covid-19.

A orientação do governo era que a fase vermelha vigorasse entre 25 e 27 de dezembro e entre 1º e 3 de janeiro. A gestão João Doria (PSDB) disse na oportunidade que esperava respeito da orientação pelos municípios e dialogaria e notificaria as cidades que não seguissem as determinações.

"O feriado está bom, o pessoal está na praia. A pandemia deu uma segurada, mas a galera quer curtir. Acho que os turistas estão descendo antes dos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro, já que vai haver restrição. Notei que para um feriado de Natal a circulação de pessoas está maior, tem muita gente procurando fazer atividade física", disse o proprietário da Escola de Surfe e Stand-Up Paddle, Neno Matos, que trabalha na Praia das Astúrias, no Guarujá.

Para o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Heitor Gonzalez, a falta de comunicação durante a mudança de região para a fase amarela prejudicou os comerciantes.

"Aconteceram muitos erros de comunicação por parte de algumas cidades do litoral, o que causou uma grande confusão no mercado. Não ficou claro o que podia e o que não podia. Primeiro não podia alugar imóveis, as reservas dos hotéis que haviam sido feitas estavam mantidas, mas novas não podiam ser realizadas. Depois não podia botar mesa e cadeira na praia, depois podia", disse. "É um dos piores feriados de Natal dos últimos anos. Hoje estamos trabalhando com 45% da capacidade", explicou o presidente.

Fluxo aumenta no comércio local

Apesar da previsão, o fim de semana, que teve início com o feriado de Natal, impulsionou o movimento em mercados, com filas. Nos comércios do litoral norte, o fluxo também era grande, exigindo paciência dos turistas.

As cidades dizem ter reforçado a fiscalização e preparam medidas para tentar frear o movimento na região. A Baixada Santista fechará o acesso a praias nos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro, virada do ano-novo, como forma de evitar aumento de turistas e aglomerações durante a pandemia.

Prefeituras dos municípios da Baixada Santista planejam barreiras sanitárias para impedir a entrada de vans, ônibus e micro-ônibus de turismo que não tenham autorização prévia da Secretaria de Turismo, no dia 31, das 10 às 18 horas. O acesso dos demais veículos é liberado normalmente.

A prefeitura de São Sebastião informou que desde ontem mantém os bloqueios nas divisas do município e fiscalizações sanitárias. A prefeitura de Ubatuba informou que não há previsão para o fechamento das praias.

Últimos 30 dias têm mais infecções que início da pandemia

Hoje, a secretaria estadual de Saúde divulgou que o número de infectados em São Paulo nos últimos 30 dias superou em 54% o total de confirmados nos 100 primeiros dias da pandemia. Foram 196.909 novos casos entre 7 de novembro e 27 de dezembro, número bastante superior aos 129.200 diagnósticos entre 26 de fevereiro (data da primeira infecção) e nos cem dias subsequentes até 4 de junho.

"Não estamos no momento de festas nem de aglomerações. É nesses momentos que esse risco de descontrole da pandemia acontece e o mundo inteiro agora está aplicando medidas específicas nesse momento", disse na semana passada Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado, ao anunciar as regras.

Há uma semana, o secretário estadual de Saúde alertou para um aumento de 54% nos casos confirmados nas quatro semanas epidemiológicas anteriores ao anúncio.

"A ocupação dos leitos de UTI mostraram, no estado de São Paulo, uma taxa de ocupação de 61,8%, enquanto que na Grande São Paulo este índice ainda foi maior, de 66,8%", completou.

As aglomerações em praias, festividades, clubes, encontros são cenários de risco para uma maior circulação de pessoas - e com elas também uma maior circulação do vírus."
Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde de SP

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