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Sem participação de Obama e sem manifestação, começa em Washington a Conferência Internacional de Aids

22.jul.2012 - Ativistas participam do protesto "Mantenha a promessa viva", em Washington, local onde ocorre a Conferência Internacional de Aids - AFP/Mandel Ngan
22.jul.2012 - Ativistas participam do protesto "Mantenha a promessa viva", em Washington, local onde ocorre a Conferência Internacional de Aids Imagem: AFP/Mandel Ngan

Lucas Bonanno

Da Agência de Notícias da Aids, em Washington

23/07/2012 10h03

Os recentes avanços científicos obtidos na luta contra Aids não irão obter os resultados esperados contra a epidemia se não houver investimentos e vontade política, afirmaram os participantes da plenária de abertura da 19ª Conferência Internacional de Aids. Diferentemente dos anos anteriores, a cerimônia que deu início oficial ao evento em Washington não teve nenhum protesto em grupo.

Depois de 22 anos, o evento mais importante do mundo sobre o HIV e aids volta a ser realizado nos Estados Unidos. O país, que financia mais da metade de todas as ações mundiais contra a pandemia, deixou de disputar pela sede da Conferência Internacional de Aids porque passou a proibir a entrada de estrangeiros portadores do HIV, regra mudada pelo presidente Barack Obama.

Durante a cerimônia que abriu oficialmente a Conferência na noite deste domingo, 22 de julho, os participantes alertaram que os recentes avanços científicos obtidos na luta contra aids não irão obter os resultados esperados se não houver investimentos e vontade política.

O diretor do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), Michel Sidibé, fez um agradecimento especial ao Presidente Obama por ter acabado com a proibição da entrada de estrangeiros soropositivos, e informou que horas antes do seu discurso a Coréia do Sul também tinha banido este tipo de proibição.

Sidibé comemorou ainda o fato de que pela primeira vez o número de pessoas em tratamento contra aids no mundo, cerca de 8 milhões, é maior do que o total de pessoas que precisam dos medicamentos, aproximadamente 6,8 milhões. “Finalmente conseguimos quebrar a trajetória do HIV, diminuindo em mais de 20% o total de novas infecções do vírus em relação a 2001”, comentou.

No entanto, o representante das Nações Unidas disse ter medo sobre o futuro da pandemia. “Ao mesmo tempo em que estamos num dos melhores momentos na luta contra a aids, estamos num dos piores. Por muitos lugares que passo, em especial, nos países mais desenvolvidos, tenho ouvido que eles não podem continuar com as promessas que fizeram porque estão passando por crises econômicas graves... Ainda temos uma carência de 7 bilhões de dólares por ano para o combate do HIV. Isto representa a vida de muitas pessoas. Agora não é o momento de agir isoladamente, mas juntos”, afirmou.

Primeiro presidente do grupo Banco Mundial a participar da Conferência Internacional de Aids, Jim Yong Kim, norte-americano de ascendência sul-coreana, elogiou o movimento social de luta contra a aids e citou o grupo Pela Vidda (Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids) como referência no Brasil.

Para ele, a experiência da sociedade civil no enfrentamento da epidemia pode ajudar a enfrentar as desigualdades sociais nos países em que o Banco Mundial atua. “A voz dos ativistas é muito importante para fazer pressão para que os programas que apoiamos, de fato, sejam benéficos às populações vulneráveis e de baixo poder aquisitivo”, comentou.

O ugandense Elly Katabira, presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS), organização responsável pela realização da Conferência, reforçou a importância do evento voltar aos Estados Unidos. “Esta Conferência acontece aqui num momento extraordinário, pois estamos vivendo numa época em que podemos sim falar na possibilidade de por fim a esta epidemia”, disse. “A Conferência em Washington é também uma ótima oportunidade de agradecer ao povo norte-americano pelos milhões de dólares que o país já doou para o enfrentamento da doença ao redor do mundo”, acrescentou.

O responsável pela implementação do PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids) durante o governo de George W. Bush também esteve na cerimônia. Mark Dybul falou sobre a importância que este programa, um dos maiores financiadores da resposta mundial contra a pandemia, trouxe ao ajudar no tratamento antirretroviral em países em desenvolvimento.
Ao lembrar que muitos especialistas de saúde pública diziam que não era possível criar programas de tratamento contra a aids em países com recursos limitados, Mark disse que Brasil, México, Tailândia e Botswana mostraram o contrário e criaram programas nacionais de tratamento com recursos próprios, o que na África, por exemplo, vem acontecendo até hoje com financiamentos do PEFPAR.

Annah Sango, do Zimbábue, foi a única representante das pessoas vivendo com HIV e aids na plenária de abertura. Ela disse que “os jovens precisam deixar de ser passageiros para ser motoristas do processo de busca pelos seus direitos sexuais”.

Apesar de prevista na programação, a mensagem em vídeo do presidente Obama desejando boas vindas aos participantes não foi transmitida. O filme está disponível na página oficial da Casa Branca: www.whitehouse.gov.

Com o lema “Juntos para virar a Maré”, a 19ª Conferência Internacional de Aids deve reunir até a próxima sexta-feira, 27 de julho, mais de 23 mil participantes de 195 países.

Leia a cobertura completa da Agência de Notícias da Aids
 

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