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O que a indicação de praia imprópria representa de risco para sua saúde?

Luis Blanco/FolhaPress
Imagem: Luis Blanco/FolhaPress

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

27/12/2017 04h00

Se você pretende ir à praia para comemorar a chegada de 2018, fique atento a placas como a da imagem ao lado. O alerta indica a contaminação da água e um risco maior à saúde dos banhistas. Só em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, há cerca de 70 praias consideradas impróprias para o banho (confira a lista abaixo).

Por que imprópria?

Não quer dizer, no entanto, que você nunca mais poderá aproveitar o mar dessas praias. "Elas não são impróprias, mas estão temporariamente impróprias. Pode ser que essa semana ela esteja com o nível de bactérias fecais elevado, mas, na outra, essa anormalidade já não exista mais. A circulação da água do mar favorece esse dinamismo", afirma Cláudia Lamparelli, gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

As secretarias estaduais analisam semanalmente o nível de poluição fecal das praias --que não pode ser superior a 100 enterococcus (gênero de bactéria) por 100 ml. São consideradas impróprias aquelas praias que excederem esse limite em ao menos duas das cinco últimas semanas. "Mas se os testes identificarem a partir de 400 enterococcus por 100 ml, de nada vale os resultados das semanas anteriores. Ela será classificada como imprópria de qualquer forma."

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O derrame de óleo e a floração de algas potencialmente nocivas são alguns dos outros motivos --embora bem menos frequentes-- que podem levar uma praia a ser classificada como imprópria. As regras estão descritas em uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio-Ambiente).

Como explica Lamparelli, a qualidade da água das praias é bastante influenciada pelas condições de saneamento básico das cidades litorâneas.  Em 2016, o Brasil tinha 20,6 milhões de domicílios sem rede de esgoto, quase 6 milhões de casas sem coleta de lixo e aproximadamente 2 milhões de residências sem água encanada, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"E, no verão, a situação tende a ser mais crítica. Isso porque que a rede de esgoto de muitos municípios litorâneos acaba não sendo suficiente para o número de turistas que recebe nessa época do ano", afirma a Lamparelli, que também cita a chuva --também característica dessa estação-- como responsável pela contaminação do mar. A recomendação, portanto, é evitar entrar no mar nas primeiras 24 horas após o fim de chuvas intensas. 

Danos à saúde 
Rafael Motta/UOL
Imagem: Rafael Motta/UOL

Todas as praias consideradas impróprias são [ou pelo menos deveriam ser] sinalizadas com uma placa para alertar os banhistas. Não é raro, porém, encontrar pessoas que desrespeitam a orientação em nome da diversão. Vale a pena? Quais são os riscos que isso pode trazer à saúde?

"Essa situação expõe os banhistas a microrganismos patogênicos --como vírus, bactérias, fungos, protozoários", afirma Lamparelli, que cita a possibilidade da transmissão de doenças de veiculação hídrica, tais como a gastroenterite, a hepatite A, a cólera e a febre tifoide. "Não é algo comum, mas também não é impossível."

Mas, segundo Ralcyon Teixeira, médico infectologista e supervisor do Pronto-Socorro do Hospital Emílio Ribas, o mais comum mesmo é a gastroenterite. "Caracterizada principalmente pelo aumento no número de evacuações --geralmente líquidas--, mas que também podem acarretar enjoo, vômitos, dores abdominais, dor de cabeça e febre."

Sintomas que podem durar de três a quatro dias. "A recomendação é tomar muito líquido, para evitar uma desidratação e o agravamento do quadro, assim como evitar comidas fermentadas", diz Teixeira, que afirma ser indicado procurar um médico caso a diarreia se prolongue mais do que o tempo habitual ou caso a pessoa comece a perder os reflexos.

A intensidade e a gravidade da doença dependem do nível de exposição que a pessoa teve a água. "Mergulhar é um risco muito maior do que apenas colocar o pé na água", destaca o especialista que ressalta que crianças, idosos ou pessoas com baixa resistência são as mais suscetíveis a desenvolver doenças ou infecções após o banho em águas contaminadas --que também podem desencadear conjuntivite, otite e doenças das vias respiratórias.

Praias impróprias em SP e Rio

Segundo o último boletim de balneabilidade da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), há 13 praias paulistas impróprias em Mongaguá (Itaóca e Santa Eugênia), Praia Grande (Real), São Vicente (Gonzaguinha, Milionários e Prainhas), Guarujá (Perequê e Enseada), Santos (Ponta da Praia), Ilha Bela (Itaquanduba e Siriúba) e Ubatuba (Picinguaba e Itagua).

Já no Rio de Janeiro, de acordo com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), o banho não é recomendado em 59 pontos em Paraty (Pontal, Paraty-Mirim, Jabaquara e Prainha de Mambucaba), Angra dos Reis (Bonfim, Anil, Jacuecanga, Enseada, Frade, Bexiga e Itinga), Ilha Grande (Abraão), Mangaratiba (Mangaratiba, Saco, Ibicuí, Muriqui, Itacuruça e Coroa Grande), Rio de Janeiro (Sepetiba, Recôncavo, Cardo, Botafogo, Flamengo, Galeão, São Bento, Bica, Ribeira, Engenhoca, Pitangueiras, Bandeira, B. Capenema, Guanabara, Pelônias, Ramos, Tamoios, Catimbau e Coqueiros), Magé (Ipiranga, Mauá e Anil), Niterói (Gragoatá, Boa Viagem, Flechas, Icaraí, São Francisco, Jurujuba e Eva), Maricá (Araçatiba), Saquarema (Lagoa de Itaúna e Lagoa do Boqueirão), Araruama (Areal, Centro e Iguabinha), Cabo Frio (Siqueira), Arraial do Cabo (Anjos), Búzios (Rasa), Rio das Ostras (Cemitério), Macaé (Barra e Forte) e São João da Barra (Atafona).

Toda semana, às quartas-feiras em SP e às quintas-feiras no Rio, a Cetesb e o Inea soltam a lista das praias consideradas impróprias nos Estados.