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Witzel sobre casos de covid-19 no país: 'Rede pública nenhuma está pronta'

Wilson Witzel (PSC-RJ), governador do Rio de Janeiro - André Melo Andrade/Am Press & Images/Estadão Conteúdo
Wilson Witzel (PSC-RJ), governador do Rio de Janeiro Imagem: André Melo Andrade/Am Press & Images/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

19/03/2020 12h07

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), disse ao jornal O Globo que "nenhum governo está satisfeito com a [posição da] União" diante da crise causada pela pandemia do coronavírus no país. Ele ainda comentou que nenhuma rede pública está pronta para lidar com a pandemia e comparou a situação local à de outros países.

"Rede pública nenhuma está pronta para isso. Olha para a Itália, para os Estados Unidos... Trump está imaginando 2 milhões e 200 mil mortos. O Ministério da Saúde falou que a preocupação deles é como fazer para enterrar os mortos. Se tivermos um número elevado, vamos ter que fazer um cemitério só para eles", comentou.

Witzel acredita que nenhum estado está satisfeito com o posicionamento da União diante da pandemia, mas informou que está tentando conversar com o governo federal e alguns ministros para buscar novas soluções.

"Olha, nenhum governador está satisfeito na relação com a União. Talvez três estejam. Não sei nem mais se Ronaldo Caiado (governador de Goiás aliado do presidente que criticou os atos do último domingo) está satisfeito. Mesmo assim, tenho tentado conversar com o governo federal, com o ministro Paulo Guedes e (Luiz Henrique) Mandetta. Infelizmente, sentimos que o governo federal não está apresentando propostas para a crise econômica."

Sobre a saúde pública no estado, o governo se prepara para ter 600 novas vagas. Dessas, 300 vagas estarão disponíveis até 15 de maio. "Por enquanto não temos nenhum caso grave e a percepção é de que isso aconteça a partir do fim da semana que vem, quando já teremos algo em torno de cem leitos." Witzel comentou que o estado terá respiradores suficientes para quem precisar dentro das medidas que estão sendo tomadas pelo governo.

O governador também ressaltou que a solução para enfrentar essa situação tem que 'ser nacional', sem ter objetivos políticos. "O Congresso, o governo federal e estaduais têm que enfrentar juntos essa crise, sem querer fazer política."

Isolamento no estado

Sobre novas medidas para evitar a disseminação da covid-19, Witzel disse que já reduziu a circulação das pessoas no estado, mas, possivelmente, será necessário 'cortar os transportes' e autorizar somente algumas pessoas a circularem nas ruas. O governador ainda contou que hoje terá uma entrevista com o Metrô e a Supervia para debater sobre o tema.

"Pode ser que haja uma decisão a partir de amanhã justamente para evitar que no sábado e no domingo a população queira ir para a praia. Mas acho que já entenderam que a praia não é mais ambiente."

Witzel revelou que não descarta a possibilidade de restrição 'extrema de pessoas na rua. Só sai com autorização' e que estuda utilizar o poder de polícia para conter a população nas ruas. "Mas, veja bem, temos poucos recursos humanos para enfrentar com punitivismo a desobediência às ordens sanitárias. Então o mais importante é conscientizar as pessoas. Quando você diz para a pessoa ficar em casa, o que ela vai pensar? 'Tá, eu fico em casa, mas como vou comprar comida?'", comentou.

Como saída para um possível isolamento, o governador disse que estuda adquirir dois milhões de cestas básicas para distribuição à população. A doação seria "considerando o cadastro que nós temos dos mais necessitados. Dar dinheiro, sou contra. Se faz isso, a pessoa vai ter que ir à rua".

Economia

Em meio às preocupações com a economia, Witzel comentou que os governadores pedem a suspensão do pagamento de todas obrigações do estado com o governo federal do regime de recuperação fiscal pelo período de 12 meses. Ele também comentou que fez um pedido de demanda inicial de R$ 50 bilhões de reais para o governo federal para ajudar outros estados, mas comentou que o valor "não dá nem para o começo".

O governador ainda disse que pediu à Cedae para avaliar uma suspensão de cobranças de dívidas por 60 dias. "Não há capacidade de investimento, e a economia está parada. Precisamos de ajuda para resolvermos o problema daqueles que estão ou ficarão desempregados e vão precisar comprar comida."

Wilzel chegou a dizer que, se necessário, os governadores estão dispostos a fazer cortes e todos os estados deverão tomar medidas para ajuste fiscal, porque a crise não será rápida. Ele ainda questionou sobre quanto dinheiro o governo federal colocaria na economia diante deste cenário.

"Hoje existem R$ 200 bilhões em fundos constitucionais e mais de R$ 300 bilhões em reservas cambiais. Precisamos usar esses recursos, senão várias empresas vão quebrar. Não estamos falando de uma crise de 30 dias. Estamos falando de uma crise de seis meses. Os Estados Unidos estão colocando US$ 1 trilhão na economia. Quanto o governo federal vai colocar?"