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Coronavírus: Por que população não deve seguir pronunciamento de Bolsonaro

Carolina Marins

Do UOL*, em São Paulo

24/03/2020 23h13

Resumo da notícia

  • Pronunciamento do presidente contraria orientações adotadas em todo o mundo
  • Fala vai contra medidas anunciadas pelo próprio Ministério da Saúde brasileiro
  • Brasil tem 2.201 casos oficiais; número de mortes subiu em um dia de 34 a 46

O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento na noite de hoje no qual acusou a imprensa de provocar "pavor" a respeito do coronavírus e atacou estados e municípios que estão tomando medidas de contenção ao contágio.

O UOL comparou algumas das frases e recomendações feitas pelo presidente com orientações dadas pela Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e especialistas e atestou que muitos pontos da fala de Bolsonaro contrariam orientações adotadas em todo o planeta no combate à pandemia. Confira:

Algumas autoridades, municipais e estaduais, devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa

A Organização Mundial da Saúde recomenda a quarentena, inclusive para os jovens, a fim de evitar o ciclo de contaminação do vírus e que a doença chegue aos grupos de riscos, como idosos e doentes crônicos.

Um estudo de Cingapura mostrou que adotar diversos métodos de interdições sociais, como o fechamento de escolas e estabelecimentos, tem maior impacto na contenção da covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco são as pessoas com mais de 60 anos, então por que fechar escolas?

A orientação para fechar escolas partiu do próprio Ministério da Saúde, a fim de evitar aglomerações. O ministério sugeriu que fossem antecipadas as férias escolares após o número de contaminados no Brasil crescer durante as primeiras semanas de março.

Em geral, crianças podem ser assintomáticas, mas ainda são capazes de transmitir a doença, em especial para os grupos de risco.

Durante coletiva de imprensa junto ao governo de São Paulo no dia 13 de março, o ministro Luiz Henrique Mandetta explicou que as escolas seriam fechadas de maneira gradual em São Paulo justamente para evitar que as crianças ficassem com os avós.

Além disso, segundo a OMS, apesar de o maior risco estar no grupo acima de 60 anos de idade, jovens, incluindo crianças, já morreram por causa do coronavírus.

90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine

Em entrevista coletiva no último dia 20 de março, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, alertou que jovens não são invencíveis e que o vírus pode levá-los a internação por semanas ou até matar.

"Eu tenho uma mensagem para os jovens: você não é invencível, esse vírus pode colocá-lo no hospital por semanas ou até matá-lo. Mesmo se você não ficar doente, as escolhas que você faz sobre onde vai pode ser a diferença entre vida e morte para outra pessoa", disse o diretor.

No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho

Exames iniciais já mostraram que o coronavírus pode deixar sequelas no pulmão. Cientistas detectaram turvamento em tomografias dos pulmões de pacientes recuperados da covid-19. A possível causa é fibrose, que reduz permanentemente a capacidade respiratória.

"Em alguns pacientes, a função pulmonar pode cair de 20% a 30% após a cura", afirma Owen Tsang Tak-yin, diretor médico do Centro para Doenças Infecciosas do Hospital Princess Margaret, em Hong Kong. "Eles ficam resfolegando, se andam um pouco mais rápido."

* Com Reuters e DW

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