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Grande SP tem 81% de UTI cheias; relaxamento da quarentena pode não ocorrer

Instalações dos novos leitos para paciente diagnosticados com o novo coronavírus no Hospital Municipal da Bela Vista, no centro de São Paulo - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Instalações dos novos leitos para paciente diagnosticados com o novo coronavírus no Hospital Municipal da Bela Vista, no centro de São Paulo Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

28/04/2020 13h22

A região da Grande São Paulo está hoje com 81% dos leitos de UTIs ocupados. O índice é considerado de alto risco e pode fazer com que o estado descarte a flexibilização da quarentena no próximo dia 10 de maio. O planejamento do governo do Estado prevê que parâmetros de saúde vão balizar a retomada da rotina.

"Está chegando a mais de 80% [ocupação das UTIs] e isso representa risco. Se olhar internacionalmente, quando atinge 80%, tem um risco muito aumentado", disse o presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde de São Paulo, Geraldo Reple, antes de acrescentar. "A não abertura neste momento ou quando for feita, são esses números que vão nos dizer. Principalmente o número de leitos de UTI."

Reple ressaltou que cada paciente grave da covid-19 fica em média duas semanas na UTI porque precisa do respirador. Este é um dos motivos que faz a taxa de ocupação de leitos de UTI ser tão importante para o relaxamento do isolamento social. Mas o percentual de 81% de vagas ocupadas acende um alerta.

O governo tem um plano de ação que prevê a abertura de 100 vagas no Hospital das Clínicas, anunciada ontem, e mais cerca de 150 leitos de UTI nas zonas Leste e Norte da capital. Ocorre que a quantidade pode ser insuficiente e já há estudos de enviar pacientes para o interior. O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, afirmou que está opção não é a mais confortável porque causa transtornos aos familiares por causa do deslocamento.

Mas ele disse que, caso seja necessário, vai adotar esta medida. Germann falou que a transferência depende da capacidade de transporte de cada estado e falou que São Paulo tem condições de enviar pacientes para até 400 quilômetros de distância. O secretário acrescentou que estas medidas podem ser necessárias se as taxas de adesão ao isolamento social continuarem baixas.

O dado mais recente, referente a segunda-feira, apontou que somente 48% da população de São Paulo ficou em casa. Coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, o médico David Uip reforçou que ainda não há nenhuma decisão sobre flexibilizar a quarentena. O que existe é uma proposta.

"O estado de São Paulo apresentou um plano, que na minha opinião está muito adequado, e apresentado no momento certo. O mundo inteiro tem planos", afirmou. "A implementação dependerá de tudo o que estamos falando". Em seguida, ele ressaltou que não há decisão tomada. "Não há uma decisão de relaxamento, há um plano muito bem elaborado. O governador tem dito que a decisão será subsidiada por esse grupo de contingência, que se baseará em ciência e pesquisa."

Junto com estas declarações, as autoridades de saúde de São Paulo revelaram que nas últimas 24 horas houve recorde de mortes. O estado registrou 224 óbitos confirmados de covid-19. Para Uip, há relação direta entre menor adesão ao isolamento social e mais óbitos. "Eu não tenho a menor dúvida a respeito disso".

As áreas com maior mortes são as zonas Leste e Norte da capital. Os únicos cinco bairros do estado que registraram 50 óbitos ou mais estão nesta região: Brasilândia (81), Sapopemba (77), São Mateus (58), Cidade Tiradentes (51) e Vila Nova Cachoeirinha (50). O secretário estadual de Saúde disse que há mais densidade e pessoas dividindo as mesmas residências nestes locais, fatores que ajudam na transmissão do coronavírus.

Estar afastado da capital se mostra um fator de proteção, apontou estudo de especialistas do Centro de Contingência ao Coronavírus. O trabalho mostra que a cada 100 quilômetros distantes de São Paulo, o risco de contaminação caiu 25%. Mas as autoridades de saúde ressaltam que não significa ausência de risco.

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