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Após relaxar quarentena, SP prevê pelo menos 4 semanas até "novo normal"

Pessoas caminham na rua 7 de abril em meio à quarentena - Alex Tajra/ UOL
Pessoas caminham na rua 7 de abril em meio à quarentena Imagem: Alex Tajra/ UOL

Gabriela Sá Pessoa

Do UOL, em São Paulo

29/04/2020 11h00Atualizada em 30/04/2020 15h46

O governo de São Paulo avalia reabrir a economia do estado em quatro fases, começando com a flexibilização dos serviços e comércios e culminando com o que chama de "novo normal", segundo estudo preliminar elaborado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa da gestão João Doria (PSDB) ao qual o UOL teve acesso.

A reabertura está prevista para 11 de maio, data anunciada pela gestão Doria para o início do relaxamento das medidas de restrição no enfrentamento ao novo coronavírus. Segundo o documento, passados sete dias, começaria a segunda etapa, com a flexibilização de serviços e comércios.

Na terceira semana, há uma previsão de "resgate à economia criativa" e, na quarta, a fase de "novo normal". Cada passo leva em conta a taxa de infecção no estado e a disponibilidade de leitos hospitalares.

A flexibilização da quarentena pode não acontecer caso o estado não mantenha o mínimo de 50% de distanciamento social. Nesta terça-feira (29), São Paulo registrou 48% de isolamento, segundo monitoramento do governo.

"Numa taxa de isolamento de 48% eu não preciso sequer pergunta para o doutor David Uip [coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus], ao doutor Germann [secretário estadual de Saúde]. Não há menor condição de flexibilização com isolamento de 48%", disse Doria em entrevista coletiva hoje.

Se as previsões para a reabertura se confirmarem, o plano de retomada será aprofundado na próxima semana, a partir das reuniões e de formulários entregues por representantes dos setores econômicos, diz Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e Economia Criativa.

"[O documento] Ainda não é o plano. É a base para debater com os setores econômicos e recolher as sugestões e propostas das empresas e das associações de cada setor. Isso será analisado pela área de saúde e a versão final será apresentada pelo governador no dia 8 de maio. O plano poderá sofrer ajustes ao longo do tempo em virtude da evolução da pandemia", afirma o secretário.

O fim da quarentena em São Paulo está condicionado à situação da pandemia e à capacidade hospitalar dos municípios, considerando o número de leitos disponíveis e vagas em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

As orientações seguem os últimos pronunciamentos de Doria e de outros integrantes de seu governo. Quando anunciou o relaxamento da quarentena, na última quarta-feira (22), o tucano afirmou que a reabertura terá diferentes fases, acontecerá em momentos diferentes em cada região do estado e será dividida por setores da economia.

O cronograma e os protocolos para o retorno de atividades culturais e serviços (salão de beleza e academias) serão definidos nos próximos dias e devem cumprir recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), como a necessidade do uso de máscaras e de distância mínima entre as pessoas.

A pasta analisa medidas adotadas em outros países, como a restrição em museus da Alemanha a uma pessoa por 15 metros quadrados e a limitação, nos Estados Unidos, de assentos nos cinemas.

O documento também menciona novas práticas em vigor no Distrito Federal, onde, por exemplo, salões de beleza só poderão reabrir com distância mínima de dois metros entre as cadeiras dos clientes.

Segundo o governo Doria, as secretarias têm autonomia para desenhar o retorno das atividades de sua competência. No entanto, todas as decisões serão tomadas pelo Centro de Contingenciamento do Coronavírus.

"A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informa que o Plano São Paulo está sendo elaborado e irá considerar sugestões dos diferentes segmentos econômicos. Elas serão analisadas por um grupo formado pelo vice-governador e secretário de Governo, Rodrigo Garcia, pelo secretário de Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, e pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, e submetidas à análise do Centro de Contingência do coronavírus de São Paulo", afirma a assessoria de imprensa da secretaria.

"A apresentação do plano está prevista para o dia 8 de maio, portanto a quarentena com os critérios atuais está mantida até esta data e o que se fala além disso não passa de mera especulação", afirma a assessoria de imprensa da secretaria.

"Os critérios empregados posteriormente serão diferenciados e de acordo com dados científicos apurados em cada cidade e pelas regiões do Estado. Todas as secretarias adaptaram o modelo do plano para as suas especificidades, respeitando as orientações gerais", diz a pasta.

Outro lado

Após a publicação deste texto, o secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, entrou em contato com UOL para esclarecer que, apesar de constar no documento, o prazo de 7 dias é ilustrativo e não se baseia em projeção do governo do estado.

Página de estudo elaborado pela Secretaria da Cultura e Economia Criativa sobre flexibilização da quarentena - Reprodução - Reprodução
Página de estudo elaborado pela Secretaria da Cultura e Economia Criativa sobre flexibilização da quarentena
Imagem: Reprodução

Segundo Leitão, a pasta jamais cogitou intervalo de sete dias entre as fases e não trabalha com projeção de um mês para retorno ao "novo normal", como consta na apresentação. De acordo com ele, a inclusão do intervalo de sete dias entre cada fase, como consta no documento, foi uma escolha aleatória, "apenas para as pessoas entenderem que haverá fases e intervalos entre elas".

O titular da Cultura afirma que todas as informações na apresentação consultadas pela reportagem são modelos que ainda serão desenvolvidos após conversas com cada setor e com a área da saúde.

"O objetivo é mostrar que será feita em etapas. Quantas etapas e qual o intervalo... Isso não está decidido. Cinemas não voltarão antes de julho; eventos ao ar livre provavelmente não voltarão antes de setembro ou outubro; e por aí vai", afirma.

Errata: o texto foi atualizado
Museus da Alemanha decidiram restringir a visitação a uma pessoa por 15 metros quadrados, e não a 15 pessoas por metro quadrado, como originalmente informado neste texto.

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