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Coronavírus

Saúde rebate Doria e diz que enviou 20 respiradores a SP; governo contesta

Allan Simon

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/05/2020 19h37Atualizada em 18/05/2020 21h41

O Ministério da Saúde contestou hoje as falas do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a respeito do envio de equipamentos e recursos ao estado no combate à pandemia do novo coronavírus. Na primeira entrevista coletiva após a exoneração de Nelson Teich do comando da pasta, o secretário-executivo adjunto, Élcio Franco, disse que o governo federal enviou 20 respiradores e citou ajuda com novos leitos de UTI e EPIs (equipamentos de proteção individual) em SP.

"Com relação a recursos financeiros e EPI, 15.642.178 de EPIs, foram habilitados 1.638 leitos de UTI a mais do que já havia. No caso do estado de São Paulo, houve um acréscimo de R$ 236 milhões correspondentes a esses 1.638 leitos. Com relação a respiradores, à medida que eles vão chegando e vamos adquirindo, estão sendo distribuídos. E em São Paulo chegaram 20. Conforme forem chegando nós vamos distribuir de acordo com a disponibilidade", disse o representante do Ministério da Saúde.

Hoje, mais cedo, Doria reclamou e disse que São Paulo não recebeu respiradores. A fala se deu antes da confirmação oficial da chegada dos 20 equipamentos, que foram entregues para a prefeitura da Capital, e não para o governo estadual.

"Espero, como governador de São Paulo, que o governo federal não faça seletividade política dos brasileiros que podem ou não podem sobreviver. Tenho a convicção de que isso não será feito. Se for feito, São Paulo vai reagir. Se tivermos um ministro que não respeite a necessidade de São Paulo, o fato de sermos o epicentro da pandemia no país para continuar sem receber respiradores, EPIs, o governo federal estará decretando a morte de pessoas em São Paulo. Contra isso, reagiremos", disse o governador.

Doria também afirmou que São Paulo é o epicentro da pandemia no Brasil e, por isso, é "óbvio" que o estado deveria receber prioridade do Ministério da Saúde.

"É inaceitável que o ministério da Saúde primeiro não tenha ministro diante de uma pandemia do tamanho deste. E depois vire as costas para São Paulo, epicentro da pandemia, precisando de respiradores como outras capitais. Repito, aqui é o epicentro, alguma prioridade deve se ter diante de uma pandemia onde São Paulo tem o maior número de infectados e de óbitos", disse o governador em coletiva.

Procurada pela reportagem do UOL, a Secretaria de Saúde de São Paulo enviou nota e disse que o governo estadual ativou quase 2,8 mil leitos de UTI adultos, além de outros 76 pediátricos. Também frisou que os 20 respiradores enviados pelo Ministério da Saúde foram entregues diretamente para a prefeitura de São Paulo.

Veja a íntegra da nota da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo

Para ampliar a rede assistencial diante da pandemia de COVID-19, o Governo do Estado de São Paulo já ativou, neste ano, 2.783 novos leitos de UTI adulto e 76 de UTI pediátrica. Os pedidos de habilitação foram direcionados ao Ministério da Saúde, que até o momento habilitou apenas 1.624 leitos. Até então, o SUS de São Paulo já contava com 3,5 mil leitos de UTI e, entre estes, mais de mil foram reservados para atendimentos à pacientes com a COVID-19.

Os 20 respiradores citados foram enviados diretamente à Prefeitura de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (18), após a coletiva do Governo do Estado.

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