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Coronavírus

Soubemos do feriadão pela imprensa, diz prefeito de Santos

Marcelo Oliveira, Arthur Sandes e Eduardo Militão

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

21/05/2020 17h44Atualizada em 21/05/2020 19h44

O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), afirma ter sido informado pela imprensa dos feriados antecipados na capital paulista, decretado pelo também tucano Bruno Covas. Em entrevista hoje ao UOL, Barbosa criticou o modelo de repasse de verbas do governo federal e disse não ver condições de flexibilizar o isolamento social na Baixada Santista neste momento da pandemia do novo coronavírus.

"Nós recebemos esta notícia por meio da imprensa, e obviamente adotamos medidas para proteger a nossa população. Santos é conhecida pela qualidade de vida, pelas praias, mas este não é o momento propício para turismo ou lazer. Turistas são bem-vindos o ano inteiro, mas agora não é hora de visita", afirmou Barbosa.

A antecipação dos feriados, aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo na última terça-feira (19), é uma tentativa do município de aumentar a adesão ao isolamento social, que tem ficado aquém dos 60% considerados ideais. Trata-se da "última cartada" do poder público, disse Covas, que já não descarta a adoção de um lockdown.

Apesar da surpresa com o feriado, o prefeito de Santos afirma que o controle sanitário ajudou a diminuir o número de turistas na Baixada Santista.

Ampliamos as barreiras sanitárias nos acessos aos municípios, com o apoio do estado e da Polícia Militar. As medidas foram efetivas: não há um grande número de turistas na região

No primeiro dia do feriado, ontem (20), cerca de 31 mil automóveis desceram a serra em direção à Baixada Santista, cerca de 35% menos do que na quarta-feira anterior (13).

Tanto ontem (20), primeiro dia do feriado, como hoje (21), segundo dia do feriadão decretado na Capital, foram registrados 4 km de congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes, que liga Santos à São Paulo, quilômetros antes da entrada de Santos, local onde a prefeitura posicionou seus agentes.

"Quem descumpre isolamento atrapalha retomada"

Paulo Alexandre Barbosa dá um voto de confiança à população de Santos e aos turistas, mas avisa que a responsabilidade de conter a pandemia não pode ser só do poder público. Ele diz "acreditar na conscientização" e lembra que o acesso às praias está restrito, por isso manda recado a quem desrespeita as medidas. "O coronavírus não é uma possibilidade, não é ilusão; é uma realidade que deve ser combatida com ações concretas e práticas, com a colaboração de todos."

Quem hoje desrespeita as medidas de isolamento está contribuindo para o adiamento da retomada econômica. Não é o momento de descumprir as regras. É hora de ter consciência com as recomendações e passar por este momento perdendo o menor número possível de vidas

Na visão de Barbosa, o atual momento da pandemia não permite flexibilizar a quarentena. "Nossa premissa é a vida em primeiro lugar. O que vai determinar [a abertura] não é uma decisão política, mas a ciência exata, a matemática: depende do percentual de leitos de UTIs ocupadas, da curva de contaminação e da capacidade de testagem", afirma.

Para o prefeito, o momento não é de disputa política. "É ridículo estabelecer uma questão ideológica em cima de uma questão de saúde em que estamos perdendo vida todos os dias", disse.

Maior número de casos de covid por 100 mil hab de SP

Com 433 mil habitantes, Santos é maior cidade do litoral paulista e é a principal cidade da região metropolitana da Baixada Santista, com 9 municípios e 1,8 milhão de habitantes.

A cidade é a que tem a maior taxa de infecção por covid-19, 453,7 por 100 mil habitantes, entre os municípios paulistas monitorados pelo site Covid-19 Brasil, uma iniciativa de cientistas brasileiros de várias universidades.

Em boletim divulgado agora à noite, Santos registra 2077 casos de covid-19 e 104 mortes pela doença. A taxa de ocupação nas UTIs da cidade é de 81%. Mais da metade (54,6%) dos pacientes internados em UTI na cidade são de outros municípios.

Crítica ao repasse de verba do governo federal

O prefeito de Santos reforçou uma crítica feita coletivamente pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) ao Ministério da Saúde, quanto ao repasse de verbas para o enfrentamento da pandemia. Ele argumenta que os R$ 5 bilhões repassados a estados e municípios não serão suficientes se o dinheiro não for empregado de maneira inteligente.

"Adotou-se o critério de repasse per capita, pelo número de habitantes de cada município. À primeira vista pode parecer justo, mas é equivocado. Como o recurso é finito, tem que ser aplicado com eficiência e inteligência para ter melhores resultados e garantir que o vírus não circule na velocidade em que está se circulando", defende, pedindo que "municípios de maior estrutura" recebam proporcionalmente mais recursos.

"Estes municípios têm responsabilidade regional [de atendimento médico] e precisam ter condições melhores para suportar este nível. Defendo muito que estes critérios técnicos sejam adotados na próxima destinação de recursos", afirmou.

Assista à íntegra da entrevista: