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"Chegamos ao momento de retomar as atividades", diz Crivella

19.mai.2020 - O prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) - Marcos de Paula/Prefeitura do Rio
19.mai.2020 - O prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) Imagem: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

Do UOL, em São Paulo e no Rio

22/05/2020 12h44Atualizada em 22/05/2020 14h40

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), anunciou hoje que deseja retomar as atividades econômicas na cidade. Apesar de Crivella ter dito que o ritmo de contaminação está em queda, a prefeitura projeta que, em duas semanas, a capital atingirá 40 mil casos de covid-19, segundo informações do painel da Secretaria Municipal de Saúde e cálculo do Instituto de Matemática da UFRJ.

"Nós fizemos, com a iniciativa privada, um plano de retorno que hoje submeto ao conselho", afirmou Crivella em uma coletiva sobre a situação da pandemia do novo coronavírus na cidade. A declaração aconteceu no dia seguinte a uma reunião em Brasília com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que prega contra o isolamento social. Desde terça (19), o painel de casos da Secretaria Municipal não informa as mortes na capital.

O prefeito não adiantou detalhes do plano tampouco apresentou dados que embasem a decisão.

"Estamos com a velocidade de contaminação caindo, a população já se habituou ao uso da máscara, os bairros [estão] bloqueados, as aglomerações caíram, os nossos tomógrafos estão trabalhando", argumentou o prefeito, para justificar sua decisão.

As medidas restritivas adotadas para o combate ao novo coronavírus na cidade são válidas até a próxima segunda-feira (25). Ainda assim, Crivella afirmou que é preciso dar "esperança" à população.

"Nós não estamos mudando as medidas, elas vão ser válidas até o dia 25, mas é importante que as pessoas saibam que elas estão dando resultados e que nós já estamos planejando voltar nossas atividades. É importante também que todo o setor econômico tenha a previsão de que estamos planejando o retorno. Não estamos planejando apenas o fechamento, estamos planejando também voltar às nossas atividades. Claro que de maneira muito segura. Nós precisamos ter equilíbrio, ponderação, sabedoria. Mas jamais perder a esperança e a certeza de que vamos vencer essa crise", considerou.

O prefeito também alegou que novos equipamentos de saúde estão vindo da China para auxiliar no combate à pandemia.

Painel sem divulgação de mortes

O painel de casos de covid-19 disponibilizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro deixou de divulgar nesta semana o total de mortos e a distribuição por bairros dos óbitos. Procurada pelo UOL, a prefeitura informou na última terça (19) que os dados sobre óbitos na cidade estão sendo atualizados, mas não deu uma previsão de quando as informações voltarão ao painel.

Até o momento, já foram contabilizados 18.743 casos confirmados da doença, 15.190 recuperados e 2.300 mortos em decorrência da doença. Em todo o estado, os mortos somam 3.400.

Questionado sobre a falta de dados, Marcelo Crivella afirmou que está sendo feito um estudo sobre a divergência nos números para que eles sejam disponibilizados no painel.

"Nós nos reunimos para estabelecer critérios e para evitar comparações equivocadas de como está sendo feito também em demais municípios e quais são as diretrizes do Ministério da Saúde. A prefeitura está estabelecendo critérios para verificar a causa do óbito para que ela seja, pelo nosso pessoal de saúde, criteriosa, que tenha definições", disse.

Novo protocolo da cloroquina e hidroxicloroquina

Questionado sobre o novo protocolo de uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes diagnosticados com a covid-19, o prefeito do Rio informou que a cidade está seguindo as novas recomendações do Ministério da Saúde.

"Está dentro do protocolo de cada hospital, de cada médico que tem essa possibilidade tendo em vista essa autorização pelo Ministério da Saúde. Mas é uma autorização com diversas recomendações", disse Crivella.

Prefeitura anuncia corte de 25% nos contratos

Sem dar muitos detalhes, a secretária municipal da Fazenda, Rosemary de Azevedo Carvalho Teixeira de Macedo, anunciou uma meta de corte "25% linear dos contratos".

"Na verdade esse corte, apesar do valor cheio, vai ser olhada com muita cautela, contrato a contrato, porque muitos são despesas de natureza continuada", explicou a secretária.

A medida acontece num momento em que a cidade do Rio de Janeiro vive uma crise econômica e uma queda na arrecadação de impostos.

Macedo ainda afirmou que a cidade já espera receber o pacote de ajuda sancionado ontem por Jair Bolsonaro (sem partido) e que está tomando medidas para mitigar a queda nas receitas.

Ainda no contexto dos cortes, Ailton Cardoso da Silva, Secretário Especial, informou que o secretariado decidiu abdicar por ora de metade dos respectivos salários. "Esperamos que esse gesto possa contagiar outros agentes públicos e outros setores da administração pública e que possa trazer um pouco mais de fôlego", disse.

Outros cortes como a suspensão do pagamento de gratificação de difícil acesso, auxílio transporte de funcionários que estão trabalhando em casa e uma ampliação da suspensão da dupla jornada também foram adotados.

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