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Infectologistas repudiam Ministério da Saúde não divulgar total de mortes

 Até essa sexta-feira (5), foram registradas 35.026 mortes pelo coronavírus no País                              -                                 TARSO SARRAF/AFP
Até essa sexta-feira (5), foram registradas 35.026 mortes pelo coronavírus no País Imagem: TARSO SARRAF/AFP

Do UOL, em São Paulo

06/06/2020 23h35

A Sociedade Brasileira de Infectologia publicou uma nota repudiando o que considera falta de transparência do Ministério da Saúde na divulgação das estatísticas referentes à covid-19. O texto informou que somente com dados confiáveis é possível tomar as providências necessárias e traçar a estratégia para enfrentar a pandemia. Os dados totais de mortos e infectados deixaram de ser publicados pelo governo federal desde sexta-feira.

"É fundamental que em uma pandemia de tamanha magnitude tenhamos os números reais. Somente com informações epidemiológicas confiáveis será possível a avaliação das medidas atuais e o planejamento de ações para combater a propagação do novo coronavírus", relata um trecho da nota.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns da Cunha, afirmou que sem os dados completos é impossível saber como traçar a melhor estratégia, definir remanejamento de equipes, EPIs e respiradores.

"É uma situação lamentável, e espero que o Ministério da Saúde reveja essa decisão de divulgar só o que aconteceu nas últimas 24 horas e não informar adequadamente a população."

O governo federal adotou uma série de medidas que vêm sendo criticadas. O Ministério da Saúde escalonou a restrição a informações. Primeiro, passou a atrasar a divulgação dos números, que ocorria no meio tarde da tarde e foi para as 22h. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou: "Acabou matéria no Jornal Nacional".

O passo seguinte foi retirar o número total de mortes, o que ocorreu pela primeira vez na sexta-feira e foi oficializado hoje. São revelados somente os dados das últimas 24 horas. O Ministério da Saúde argumentou que a divulgação das estatísticas deste período permite acompanhar a realidade do país neste momento.

A medida foi duramente criticada. O ex-ministro da Saúde Luiz Mandetta vinculou a decisão do Ministério da Saúde à obediência militar —o ministro interino da Saúde é general do Exército. Mandetta classificou a atitude como "lealdade extrema, mesmo que burra e genocida".

A Sociedade Brasileira de Infectologia publicou uma nota de repúdio. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse que esconder dados é "manobra de regimes totalitários".

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