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Coronavírus

Média de mortes por covid na cidade de SP cai quase 20% em 3 semanas

Paciente de covid-19 internado no hospital Emílio Ribas, em São Paulo - Edu Cavalcanti/UOL
Paciente de covid-19 internado no hospital Emílio Ribas, em São Paulo Imagem: Edu Cavalcanti/UOL

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

17/07/2020 04h00

As mortes em decorrência da covid-19 na cidade de São Paulo apresentaram queda de 18,7% nas últimas três semanas de acordo com a média móvel de óbitos. A estatística é considerada a mais confiável pelos especialistas por ser uma média dos últimos sete dias, o que elimina eventuais dias atípicos de mais ou menos morte e subnotificações. Em 23 de junho, data de maior valor, a média móvel foi de 109,1 mortes. Ontem, foi de 88,7 mortes.

Em números absolutos, também há redução de óbitos na cidade de São Paulo. Foram 179 vítimas em 23 de junho diante de 134 ontem. O platô que o estado experimenta agora é algo que a capital vivia mês passado.

O coordenador do Centro de Contingência, Paulo Menezes, confirmou esta nova fase de queda e, questionado se a redução é uma tendência, disse que esta é a expectativa: "É o que a gente espera, que a média móvel continue caindo progressivamente".

O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, declarou que, desde 2 de junho, há uma redução na busca por hospitais na capital. Para se ter uma ideia, a taxa ocupação de UTIs na Região Metropolitana, que chegou a 92% em maio, hoje está em 65%.

Esta melhora aparece em relatos de profissionais de saúde. No auge da pandemia, médicos e enfermeiros do hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, na zona Norte, eram informados sobre cinco, seis vítimas fatais do coronavírus aguardando remoção no necrotério. Agora, a situação da pandemia é descrita como controlada.

Na zona Leste, os hospitais Dr. Ignácio Proença de Gouvêa (Mooca) e Tide Setúbal (São Miguel Paulista) têm o atendimento normalizado desde a metade de junho. Até mesmo no cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, a redução das mortes por covid-19 é sentida. Funcionários disseram que eram 12 enterros por dia em abril e maio. Agora, há dias em que não ocorre nenhum.

Xópi - Felipe Pereira/UOL - Felipe Pereira/UOL
Funcionária mede temperatura de cliente na entrada de shopping em São Paulo
Imagem: Felipe Pereira/UOL

Flexibilização sem aumento de mortes

O coordenador do Centro de Contingência ressaltou que houve diminuição mesmo com a retomada de atividades. Menezes afirmou que a manutenção da queda é resultado dos protocolos sanitários, da colaboração da população e principalmente do uso de máscaras. Por esses motivos, ele espera que a tendência na queda de mortes por covid-19 seja mantida.

"Tudo indica que as pessoas estão voltando com muito cuidado. Então, eu não espero uma piora na situação do município nas próximas semanas em função disso. Acho que está funcionando muito bem essa estratégia de retomada progressiva e muito cuidadosa de atividades."

O infectologista Gerson Salvador afirmou que a taxa de 85 mortes por dia mostra que a doença não está sob controle e o coronavírus permanece circulando.

Médico no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Leonardo Weissmann declarou que ainda é tempo de cuidados e não de comemorações. Ele lembrou que o número de casos de covid-19 está estável, o que exige cautela durante a retomada gradual da economia.

"O risco de aumento no número de casos e óbitos existe e é altíssimo. O vírus continua circulando. A pandemia ainda não acabou. É necessário que todos respeitem as recomendações de distanciamento entre as pessoas, uso de máscara cobrindo nariz e boca e higiene frequente das mãos."

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Uso de máscara e álcool gel é fundamental mesmo com flexibilização do distancimento social
Imagem: Canaltech

O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, afirmou que o inquérito sorológico feito nas áreas das 472 UBS da cidade identificará qualquer alteração nos números. Ele contou que no momento, 300 mil pessoas são monitoradas na capital.

Este trabalho é feito submetendo pessoas com sintomas a testes. Até o resultado sair, o que pode demorar três dias, o indivíduo fica de atestado médico. Em caso positivo, familiares fazem exame e o doente fica em isolamento social por duas semanas.

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