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São Paulo: 1,3 mi de pessoas já se infectaram; contágio de idosos cresceu

8.jun.2020 - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em coletiva de imprensa sobre o anúncio de medidas de combate ao coronavírus - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
8.jun.2020 - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em coletiva de imprensa sobre o anúncio de medidas de combate ao coronavírus Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

28/07/2020 12h39Atualizada em 28/07/2020 16h44

Novos resultados do inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo apontam que 11,1%, dos moradores da cidade contraíram o novo coronavírus, o que representa mais de 1.320.000 milhão de pessoas. O novo levantamento mostrou também um aumento no número de idosos infectados.

Os dados da fase 2 do levantamento, iniciada em 29 de junho, foram divulgados hoje pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), e pelo secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, em entrevista coletiva. O perfil sócio demográfico mais suscetível à infecção pela covid-19 na cidade continua sendo o de indivíduos pretos e pardos, de menor instrução e menor renda mensal.

Segundo os resultados, houve uma prevalência de casos confirmados em pessoas acima de 65 anos (13,9%).

"Com relação aos idosos, isso pode apontar que membros da família que saíram para trabalhar podem ter contaminado os idosos que ficaram em casa", afirmou o secretário. Segundo ele, a secretaria deve fazer um monitoramento específico a essa população.

Desigualdade social e racial

Outros grupos que também apresentaram maior incidência da doença foram pessoas com o ensino fundamental (16,4%); de cor parda e preta (14,4%); das classes E, D e C e indivíduos que moram em domicílios com mais de 5 pessoas.

O prefeito destacou a vulnerabilidade da camada mais pobre com relação ao vírus. "O vírus está jogando luz na desigualdade. Os pardos têm 60% mais chance de pegar o vírus na cidade de quem é de cor branca", disse Covas

"O perfil sócio demográfico mais suscetível [vulnerável] à infecção pelo Sars-Cov-2 permanece sendo: Raça/ cor preta e parda, menor instrução e menor renda mensal", diz um trecho da conclusão do inquérito conduzido pela Prefeitura.

Isolamento e máscara

De acordo com o levantamento, pessoas que não cumpriram o isolamento social e que trabalham fora de casa foram as mais infectadas, e a prevalência de assintomáticos infectados vem se elevando gradativamente em cada fase.

Na coletiva, Covas apresentou dados que apontam para uma maior probabilidade de se infectar com o vírus entre as pessoas que não respeitaram o isolamento social. Enquanto as incidências de contaminação ficaram em 8,5% em quem respeitou o distanciamento e a quarentena imposta pelas autoridades na capital, o índice de quem não respeitou o isolamento ficou em 25,2%.

Ou seja, segundo o inquérito da Prefeitura, um quarto dos que não respeitaram o isolamento apresentaram teste positivo para a covid-19.

"O que o inquérito apontou é que temos 40% das pessoas que já tiveram contato estão imunes e não apresentaram nenhum sintoma. Então, esperamos que se os estudos que estão sendo feitos em outros locais se comprovarem, a cidade de São Paulo poderia alcançar a imunidade mais rapidamente", completo o secretário., que reforçou a necessidade do uso de máscaras e do isolamento social.

"Quem fez o isolamento tem de 8,5% de prevalência, quem não fez, tem 25% de prevalência. Na população que usou máscara, a prevalência é de 9%, na que não usou máscara, a prevalência é de 30%", completou ele.

Próximas fases

O inquérito terá 9 fases (de 0 a 8). Covas afirmou ainda que a prefeitura fará um inquérito sorológico específico com crianças e adolescentes para decidir sobre a volta às aulas.

"Esse inquérito será realizado na fase 4, até que possamos ter mais dados para embasar a decisão da prefeitura para a volta às aulas, o impacto da transmissibilidade do vírus feita pelas crianças, como as crianças se comportam em famílias sintomáticas, então faremos um inquérito específico", afirmou.

Governo de SP ainda não teve acesso a dados

Em entrevista coletiva, o Governo de São Paulo evitou comentários aprofundados a respeito do inquérito. Coordenador Executivo do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, João Gabbardo informou que ainda não teve acesso aos resultados, por isso preferiu não avaliar.

Já o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, ressaltou que a prevalência de casos entre pessoas de mais de 65 anos indicaria uma evolução dos impactos da pandemia. "Temos que entender que estamos na oitava semana de quarentena. Pessoas de idade, muitas vezes sós, são obrigadas a sair de casa, e acabam saindo a despeito de de nossas recomendações", disse.

Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência, afirmou não ser possível ter certeza a respeito do número de casos assintomáticos com base em inquéritos. Segundo ele, é possível que os números incluam também casos sintomáticos leves.

"Esses inquéritos não estimam número de assintomáticos. É preciso ter um questionário junto, perguntando se o sujeito teve sintomas. O que ele mede é uma proporção de pessoas que teve anticorpos — ou seja, que foram infectadas pelo coronavírus. Provavelmente boa parte dessas pessoas teve algum tipo de sintoma", disse.

"Provavelmente tiveram sintomas muito leves que nem levaram essas pessoas a buscar algum tipo de atendimento. Mas não seriam assintomáticos. Estamos aprendendo, em relação ao coronavírus, o que são os quadros sintomáticos leves e o papel dos assintomáticos nessa pandemia. Mas a gente precisa analisar melhor o inquérito apresentado hoje."

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