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8 meses

Sem citar Bolsonaro, médica da OMS fala de grupos anti-vacina como desafio

Em discurso na segunda (31), Bolsonaro disse que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina" - André Coelho/Getty Images
Em discurso na segunda (31), Bolsonaro disse que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina" Imagem: André Coelho/Getty Images

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

02/09/2020 12h18

Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a médica e representante da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Brasil, Socorro Gross, classificou hoje como um desafio a aceitação da população perante uma nova vacina, em especial quando há importantes grupos anti-vacina e fake news.

Bolsonaro disse que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina" em discurso na segunda-feira (31). A frase foi reproduzida pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República ontem como uma posição do governo "pelas liberdades dos brasileiros".

"Existem desafios importantes quando falamos de uma nova vacina. Existem desafios regulatórios, de planificação, de insumos, de aceitação da população. Especialmente quando temos grupos importantes anti-vacinas e com fake news", declarou Socorro Gross.

A declaração foi dada em audiência no Congresso Nacional para falar do panorama de vacinas contra a covid-19 em meio à pandemia do coronavírus.

Ao longo da reunião, Gross elogiou o esforço governo e de instituições do Brasil em se buscar parcerias para vacinas contra a covid-19, como as em desenvolvimento pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca e pela biofarmacêutica Sinovac Biotech.

Ela informou que, até 28 de agosto, a OMS registrava 176 vacinas em desenvolvimento, número sem igual na história contra uma única doença, ressaltou. Destas, 143 estão em etapa de testes para assegurar segurança e eficácia com pesquisas em animais. Outras 33 estão em diferentes fases de pesquisas com humanos, sendo oito em etapas mais avançadas.

Para Gross, a importância em se desenvolver diversas vacinas está em garantir que toda a população mundial tenha acesso a um imunizante a preços justos. A representante da OMS destacou a ampla experiência da América Latina em vacinações e afirmou que o Brasil é um dos países "mais solidários e importantes" para desenvolver programas de imunizações na região, principalmente por sua dimensão continental.

Questionada sobre a previsão para uma nova vacina segura e eficaz contra a covid-19, Gross afirmou que definir uma data é muito complexo, mas esperá-la para 2021, como tem sido discutido entre o governo brasileiro e laboratórios. Ela ressaltou ser necessário um trabalho ágil de agências reguladoras.

O diretor do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores, João Lucas Almeida, afirmou que o objetivo do governo federal é oferecer à população um acesso antecipado a vacinas efetivas.

O diplomata citou as vacinas em desenvolvimento negociadas com o Brasil e reafirmou que a prioridade será dada a pessoas no grupo de risco, como idosos ou com doenças pré-existentes.

Segundo ele, as 100 milhões de doses previstas na parceria da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) com a Universidade de Oxford e a AstraZeneca deverão ser suficientes para atender a esse primeiro grupo de forma gratuita por meio do SUS (Sistema Único de Saúde).

"[As diversas tratativas] Nos dão uma certa tranquilidade de que teremos condições não só de atender a demanda da população brasileira num período relativamente curto de tempo, como também apoiar países da região e até países fora da região para que também possam atender suas demandas", falou.

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