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Doria pede grandeza a Bolsonaro e defende Pazuello: guerra é contra o vírus

Do UOL, em São Paulo

21/10/2020 11h25Atualizada em 21/10/2020 14h16

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pediu grandeza ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à polêmica envolvendo a vacina CoronaVac e disse que a "guerra" precisa ser contra o novo coronavírus. Ele ainda defendeu o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que ontem fez um acordo para aquisição do imunizante, mas foi desautorizado pelo presidente.

"Aproveito para pedir ao presidente que tenha grandeza e lidere o Brasil na saúde, na retomada de empregos... A nossa guerra é contra o vírus, não na política e não um contra o outro. Devemos vencer o vírus", disse Doria durante pronunciamento em Brasília, onde cumpre agenda.

Na manhã de hoje, Bolsonaro desautorizou Pazuello, que em reunião com governadores informou que o governo compraria 46 milhões de doses do imunizante. A CoronaVac é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butatan e tem o governo de São Paulo, comandado pelo rival político, como principal fiador no Brasil. O presidente chamou a CoronaVac de "vacina chinesa de João Doria".

O governador saiu em defesa do ministro e pediu "sentimento humanitário" a Bolsonaro em relação à vacina. Segundo ele, é preciso pensar que, caso a CoronaVac tenha a eficácia aprovada, o benefício pode ser de todos os brasileiros.

"Peço a compreensão do presidente e o seu sentimento humanitário para compreender que seu ministro agiu corretamente. Agiu baseado na ciência, na saúde, na medicina, priorizando a saúde dos brasileiros. Não há razão para censurar, recriminar um ministro da Saúde por ter agido corretamente em nome da ciência e da vida. Há que aplaudi-lo, como foi aplaudido ontem por 24 governadores e por senadores e deputados que estavam presentes (na reunião de ontem", disse.

A nossa posição como governador é que a vacina do Butantan é a vacina do Brasil, de todos os brasileiros. Não classificamos vacina por razões políticas, ideológicas, partidárias ou eleitorais. Vacina significa vida, proteção ao povo brasileiro, esta é a nossa visão
João Doria (PSDB), governador de São Paulo

SP insiste em acordo; Ministério nega compra e fala em "intenção"

Conforme informou o UOL, o Governo de São Paulo reforçou os contatos com o ministério da Saúde após as declarações de Bolsonaro para tentar manter o acordo de financiamento da vacina contra o coronavírus.

Porém, ao mesmo tempo em que Doria falava em entrevista coletiva, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, também fazia um pronunciamento oficial negando a compra da CoronaVac por parte do governo federal.

Segundo o secretário, o que houve ontem foi um protocolo de intenções para futura aquisição de imunizantes produzidos diretamente pelo Instituto Butantan. Ontem, na reunião com governadores, Pazuello disse que o acordo significava o "compromisso da aquisição dessas vacinas". O ministro não participou do pronunciamento de hoje.

Élcio Franco afirmou que o governo não comprará nenhuma vacina que ainda não tiver autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Apesar de o secretário negar a compra imediata, mas reconhecer um protocolo de intenções, Bolsonaro afirmou hoje que sua decisão é "não adquirir a referida vacina" e que o povo brasileiro não será "cobaia".

Embora diga que não comprará vacina não autorizada pela Anvisa, em 6 de agosto, Jair Bolsonaro assinou MP (Medida Provisória) que libera R$ 1,9 bilhão para produção, compra e distribuição de 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório Astrazeneca. No Brasil, a pesquisa sobre esse imunizante é liderada pela Fiocruz.

As vacinas da Sinovac e da Astrazeneca estão na mesma fase 3, o estágio em que são feitos testes massivos do imunizante. Nenhuma delas ainda tem eficácia comprovada nem autorização de uso pela Anvisa.

Tensão crescente

Embora o clima entre Bolsonaro e Doria tenha se deteriorado desde o ano passado, a tensão cresceu durante a pandemia e chegou ao ápice nesta semana, com a discussão relacionada à CoronaVac e à possibilidade de vacinação obrigatória.

Na última sexta-feira (16), Doria disse que a vacinação contra a covid-19 será obrigatória em todo o estado se for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No mesmo dia, Bolsonaro disse nas redes sociais que o ministério da Saúde é quem irá oferecer o imunizante, mas "sem impor ou tornar a vacinação obrigatória".

Hoje, em entrevista coletiva, Doria defendeu a obrigatoriedade do imunizante.

"Como pai, desejo que meus filhos tomem a vacina, que minha família tome a vacina, que meus vizinhos tomem a vacina, que os brasileiros tomem a vacina. A vacina que vai nos salvar a todos. Não é ideologia, não é politica, não é processo eleitoral, é a vacina", disse o governador. "O próprio presidente sancionou em fevereiro uma lei pela qual prevê a obrigatoriedade da vacina. Esse decreto foi assinado corretamente pelo presidente, por orientação do seu então ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, e até o presente momento este decreto está em vigor."

Na segunda-feira (19), além de reafirmar sua posição dizendo que "Doria se intitula médico do Brasil", Bolsonaro ainda afirmou que a vacina CoronaVac precisava ter comprovação científica e criticou a China, novamente sem fazer uma menção direta.

"O país que está oferecendo essa vacina tem que primeiro vacinar em massa os seus, depois oferecer para outros países. Assim muita coisa é. Até na área militar, você só consegue vender um produto bélico para outro país depois que você usar no seu território e aquilo mostrar sua eficácia", disse o presidente.

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