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Coronavírus

Governadores criticam Bolsonaro por desautorizar compra da CoronaVac

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, foi um dos mais críticos e falou em "guerra das vacinas" - Kleyton Amorim/UOL
Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, foi um dos mais críticos e falou em "guerra das vacinas" Imagem: Kleyton Amorim/UOL

Do UOL, em São Paulo

21/10/2020 13h54

Os governadores fizeram comentários em tom de reprovação hoje após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desautorizar a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, a vacina contra a covid-19 desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O anúncio foi feito ontem pelo próprio ministro da Saúde Eduardo Pazuello em reunião virtual com os governadores.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem a CoronaVac como uma de suas bandeiras, já que o Butantan é ligado ao governo paulista, pediu grandeza e liderança a Bolsonaro, negando que a disputa pela vacina tenha um fundo eleitoral.

"Peço ao presidente Jair Bolsonaro que tenha grandeza. E lidere o Brasil para a saúde, a vida e a retomada de empregos. A nossa guerra não é eleitoral. É contra a pandemia. Não podemos ficar uns contra os outros. Vamos trabalhar unidos para vencer o vírus. E salvar os brasileiros", escreveu Doria no Twitter.

Já o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), reagiu mais criticamente à desautorização. "Bolsonaro agora quer fazer a 'guerra das vacinas'. Só pensa em palanque e guerra", disse hoje pela manhã.

"Será que ele não quer jogar War ou videogame com [Donald] Trump? Enquanto jogasse, ele não atrapalharia os que querem tratar com seriedade os problemas da população", finalizou.

Em outro tuíte na rede social, Dino afirmou que os governadores "irão ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras".

"Guerra contra a covid"

Ainda no Nordeste, Rui Costa (PT), governador da Bahia, disse que Pazuello "tomou medida sensata de garantir acesso à vacina de qualquer país para salvar vidas".

"Estamos em guerra contra a covid, que já matou mais de 150 mil no Brasil. O presidente não pode desmoralizá-lo e desautorizá-lo nesta luta. Minha solidariedade ao ministro", criticou.

Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), reagiu dizendo que "a influência de qualquer ideologia em temas fundamentais, como a saúde, só prejudica a população".

"Defendemos que todas as vacinas consideradas seguras, avalizadas pelas autoridades, sejam disponibilizadas ao povo brasileiro. É preciso dar este passo na superação da covid-19", pontuou.

Camilo Santana (PT), governador do Ceará, pediu que o governo federal "guie suas decisões sobre a vacina da covid por critérios unicamente técnicos".

"Não se pode jamais colocar posições ideológicas acima da preservação de vidas. Lutaremos para que uma vacina segura e eficaz chegue o mais rápido possível para todos os brasileiros", disse.

Wellington Dias (PT), governador do Piauí, pediu que "a saúde do povo" esteja em primeiro lugar. "A saída da crise econômica, que permite recuperar empregos e trabalhar soluções para a calamidade social, é a vacina", acrescentou.

Entre os governadores do Sul, por ora, apenas Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, se pronunciou. Em vídeo, o tucano disse que "A decisão sobre a inclusão de uma vacina no Programa Nacional de Imunizações deve ser eminentemente técnica, e não política.

"O que deve ser observado é a condição de segurança, a viabilidade técnica e também a agilidade para disponibilizar essa vacina para imunizar a população. Sem análise política", pontuou.

Casagrande espera recuo de Bolsonaro

Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, afirmou que "salvar vidas e libertar os brasileiros do coronavírus são objetivos que devem unir todos nós".

"Adquirir as vacinas, que primeiro estiverem a disposição, deve ser a meta primordial. Nesse contexto, não há espaço para discussão sobre assuntos eleitorais ou ideológicos", disse.

O governador, que afirmou ao colunista do UOL Tales Faria ser "impossível" que Bolsonaro não tivesse sido informado sobre o acordo, ainda fez um apelo ao presidente.

"O nosso apelo é para que a gente mantenha o acordo firmado ontem", disse Casagrande em entrevista à CNN Brasil. "Tenho plena convicção de que o presidente poderá rever essa sua posição", completou.

Vacina chinesa

Casagrande não vê sentido no argumento de que a vacina é chinesa. "Acho que não tem razão, até porque essas vacinas estão sendo preparadas e desenvolvidas em parceria com instituições de fora, mas estão sendo todas preparadas aqui no Brasil", afirmou.

A opinião é compartilhada por Flávio Dino, que enalteceu a importância do Butantan. A instituição é o maior produtor de vacinas do Brasil.

"Instituto Butantan não pertence ao governo chinês. É um patrimônio do povo brasileiro, fundado há mais de 100 anos, e merece respeito. É um grande fornecedor de vacinas ao Ministério da Saúde. Qual a autoridade de Bolsonaro para tentar desmoralizar uma instituição e seus cientistas?", questionou o governador maranhense.

Senadores apoiam CoronaVac

Na mesma linha dos governadores, parlamentares também se colocaram ao lado do ministro Pazuello. O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do seu partido no Senado, disse que Bolsonaro se preocupa com "loucuras ideológicas".

"Pazuello está preocupado com a vacina para milhões de brasileiros. Bolsonaro está mais preocupado em agradar loucuras ideológicas. Corre o risco dele virar o próximo [ex-ministro da Saúde Luiz Henrique] Mandetta ou o próximo [general Carlos Alberto dos] Santos Cruz, que limpou as gavetas e disse 'tchau, querido'", afirmou Olímpio em declaração enviada à colunista do UOL Thaís Oyama.

O senador lembrou a saída do ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República. Santos Cruz deixou o governo ainda em junho do ano passado.

O líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reforçou que vai apoiar uma possível vacinação nacional com a CoronaVac.
"Vamos apoiar todo o processo de certificação da vacina porque não está em jogo a política, está em jogo a vida das pessoas", disse Randolfe.

Já o presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador ACM Neto, afirmou que "seria um crime inaceitável com o brasileiro colocar disputas políticas e ideológicas acima da saúde pública", comentando a possibilidade de o governo federal não adquirir a CoronaVac, mesmo que o imunizante seja aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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