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Coronavírus

Maia defende CoronaVac se houver aprovação e pede diálogo entre SP e União

Allan Brito, Felipe Pereira e Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo, e Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/10/2020 13h23

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou hoje que defende a distribuição da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, para todos os brasileiros se ela for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Maia participou de coletiva ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes.

O deputado disse que o momento é de diálogo entre todas as partes e informou que recebeu contatos de outros deputados que apoiam a distribuição nacional do imunizante. Doria, no final da coletiva, afirmou que está "aberto ao diálogo".

Nesta semana, a distribuição da CoronaVac esteve no centro de um novo embate entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo. Nos bastidores, ganha força o comentário de que a corrida pela vacina contra a covid-19 ganhou ares de corrida eleitoral.

Maia defendeu a distribuição pelo SUS (Sistema Único de Saúde) da vacina contra a covid-19 desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan e pelo laboratório Sinovac.

"Tenho certeza que o presidente vai ouvir nossos apelos e nós não vamos precisar de outro caminho. O presidente tem tido bom diálogo com o Parlamento, tem sido positivo, e isso pode ser bom instrumento para organizar o que está desorganizado, mas precisa ser organizado. Os brasileiros precisam ter direito a vacina", afirmou Maia.

O presidente da Câmara lembrou que a CoronaVac ainda precisa ser aprovada pela Anvisa. Caso isso aconteça, ele afirma que trabalhará para que esta vacina e outros imunizantes contra a covid-19 sejam disponibilizados na rede pública de saúde.

"Quando ela [Coronavac] estiver aprovada e autorizada pela Anvisa que a gente consiga com diálogo com o presidente, com o Ministério da Saúde, que este diálogo já existe, com o Congresso Nacional, possa autorizar não apenas essa vacina para os brasileiros, mas todas as vacinas que forem aprovadas", disse Maia.

O apelo ao diálogo marcou as manifestações de Maia durante a entrevista. Ele chegou a chamar Doria de "aliado" e "amigo", mas disse que isso não significa que ele está "contra o governo federal". O deputado evitou criticar Bolsonaro e afirmou que a sua missão será buscar o melhor entendimento entre as partes.

"Cabe a nós construir caminho para ter condições de vacinar todos brasileiros. Prefiro continuar na linha de ampliar diálogo. São Paulo tem feito esforço enorme, como a Fiocruz [responsável pelos testes com a AstraZeneca, outra vacina que está na fase final de testes] tem feito, para salvar vida e retomar normalidade", afirmou.

Apesar de criticar Bolsonaro por diversas vezes durante a coletiva, Doria disse que está "aberto ao diálogo" e a "construir um programa que permita que brasileiros sejam salvos pela vacina, pela orientação correta, pela compaixão, pelo distanciamento de posições ideológicas". "Basta o presidente me convidar e estarei em Brasília para o diálogo. Na mesma hora. Estou disposto ao diálogo e a convidar você, presidente, a fazer o mesmo."

Assim como defendeu o diálogo interno, Maia também evitou indisposição com outro país envolvido nas discussões desta semana. "O Brasil não tem que ter nenhum problema com a China", disse ele, ressaltando que o país é um importante parceiro estratégico.

O alinhamento do Planalto com os Estados Unidos faz que existam reservas à China, país do laboratório Sinovac.

Vacina obrigatória?

Questionado sobre a defesa de Doria pela vacina obrigatória, Rodrigo Maia não quis opinar. "Do ponto de vista técnico, não tenho como dizer se tem que ser obrigatório. Não cabe a mim discutir."

Mas, em seguida, o deputado reafirmou a posição anterior que a CoronaVac ou qualquer outra vacina que tenha aprovação da Anvisa seja distribuída para todos os brasileiros. "Todos os brasileiros, com vacina aprovada, têm que ter direito a essa vacina", afirmou.

Anúncio e recuo

Durante a semana, a CoronaVac virou tema principal da disputa entre Doria e o presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira (20), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou durante uma videoconferência com 24 governadores a intenção de compra das primeiras 46 milhões de doses da CoronaVac que devem estar disponíveis até dezembro. Doria, inclusive, chegou a comemorar o anúncio, assim como outros governadores.

Na manhã de quarta-feira (21), porém, Bolsonaro afirmou que não aprovava o acordo e disse que mandou cancelar a compra, desautorizando Pazuello. Logo após a declaração, Maia cancelou um encontro que tinha marcado com Doria em Brasília, alegando indisposição. O governador paulista seguiu cumprindo agenda na capital federal e criticou por diversas vezes a atitude de Bolsonaro.

Já Bolsonaro repetiu que a vacina é chinesa e ainda não foi aprovada pela Anvisa. No entanto, o governo federal já assumiu um compromisso de investir quase R$ 2 bilhões na vacina de Oxford, desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório Astrazeneca, que também está em fase de testes, como a CoronaVac.

Ainda anteontem, Doria deu um prazo de 48 horas, que se encerra hoje, para que o governo federal voltasse atrás na quebra do acordo feito pela CoronaVac.

Ontem, Pazuello, que se recupera de covid-19, afirmou ao lado de Bolsonaro que "um manda, o outro obedece", indicando que não contestará a decisão do presidente sobre a vacina do Butantan.

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