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Plano da Saúde é inconsistente e Brasil demorou a procurar Pfizer, diz Dino

"Não podemos ficar dependentes dos humores do presidente", defendeu o governador do Maranhão - Valter Campanato/Agência Brasil
"Não podemos ficar dependentes dos humores do presidente", defendeu o governador do Maranhão Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

08/12/2020 18h45Atualizada em 08/12/2020 19h01

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou hoje a condução do Ministério da Saúde nas tratativas para a elaboração de um plano nacional de vacinação contra a covid-19. Para ele, as ações do governo federal têm sido inconsistentes e causaram o anúncio, por parte do governo de São Paulo, de um programa de imunização estadual.

"Não podemos ficar dependentes dos humores do presidente da República. Minha percepção é essa: o governo federal não avançou, não há consistência nas ações que foram discutidas. Se o Ministério da Saúde tivesse mantido a decisão de outubro, nós não estaríamos nesse impasse", disse Dino em entrevista à GloboNews.

A "decisão de outubro" mencionada pelo governador é o acordo firmado entre o Ministério da Saúde e o governo de São Paulo para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan junto à farmacêutica Sinovac Life Science. O trato foi suspenso pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no dia seguinte.

Dino, que participou de reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e outros governadores, também avaliou que o governo federal errou ao apostar em apenas uma vacina — a desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford —, deixando de buscar alternativas como a da Pfizer/BioNTech.

"O governo federal demorou muito a entrar em contato com a Pfizer. Um erro de estratégia, negando a decisão certa, que é a multiplicidade de vacinas. Não é porque Bolsonaro escolheu a AstraZeneca que podemos ficar presos a isso. É preciso ter menos preconceito ideológico e mais técnica e senso de prioridade", opinou.

Ele ainda citou o início da vacinação no Reino Unido, que não está utilizando o imunizante AstraZeneca/Oxford, e sim o da Pfizer, que foi liberado para uso emergencial primeiro.

"Mesmo no Reino Unido, que é o país de origem da vacina preferida do governo brasileiro, não está sendo usada a vacina [AstraZeneca/Oxford] até aqui. Esta preferência, que não quero julgar se é certa ou errada, aparentemente está embaraçando a busca por outras alternativas", completou.

Sem críticas a Doria

Diferentemente de outros governadores, Dino evitou fazer críticas a João Doria (PSDB) após o anúncio do início da vacinação em São Paulo, marcado para 25 de janeiro. Para o governador do Maranhão, o tucano está usando os recursos que tem para imunizar sua população e não há problema nisso, mas o melhor seria buscar um entendimento nacional.

"Acho que ele [Doria] está lutando porque tem o Instituto Butantan, e espero que a resposta do Ministério da Saúde não seja combater e derrotar o governo de São Paulo. O certo é buscar entendimento. O que não pode é o governo federal escolher uma vacina e descartar a vacina do Butantan por motivos ideológicos, eventualmente porque não gosta da China ou não gosta do Doria. Disso todo mundo tem direito, do que não tem direito é de sacrificar a saúde da população", defendeu.

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