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Coronavírus

De 78% a 100%: Eficácia da CoronaVac é 'boa', diz imunologista; entenda

Lucas Borges Teixeira e Arthur Stabile

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

07/01/2021 17h22Atualizada em 07/01/2021 20h47

O Instituto Butantan divulgou que a CoronaVac, produzida em parceria com a chinesa Sinovac, apresentou eficácia de 78% a 100% nos estudos clínicos conduzidos no Brasil. Este é um "bom" resultado para controlar a pandemia, avalia o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente de pesquisa do hospital Albert Einstein.

O estudo completo foi apresentado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na manhã desta quinta (7) e os detalhes ainda não foram divulgados. No entanto, para Rizzo, esta eficácia pode acabar com a pandemia em poucos meses.

O Butantan apresentou duas taxas de eficácia: redução de 78% para casos leves e de 100% para casos graves e moderados. Isso quer dizer que, a cada 100 pessoas vacinadas, 22 desenvolveram sintomas leves e podem ter recorrido a atendimento ambulatorial. No entanto, nenhuma delas chegou a desenvolver sintomas moderados ou graves, que poderiam levar a internação ou óbito.

Em geral, vacinas com resultados acima de 70% são aprovadas pela Anvisa. Dada a emergência da covid-19, a agência já havia anunciado que índices acima de 50% receberiam a chancela, caso não haja outra opção disponível. Até então, nenhuma foi aprovada pela agência.

"Quando se vacina milhões, vai variar dentro de uma faixa de normalidade. É um bom resultado. Excelente se for acima de 90%. Vai ser útil, não tenho menor dúvida", afirma Rizzo.

Na tarde desta quinta, o país atingiu a marca de 200 mil mortes em decorrência da covid-19 e soma mais de 7,9 milhões de infectados, segundo o consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte.

Para Rizzo, o estudo da CoronaVac apresenta números mais promissores do que a vacina AstraZeneca em parceira com a Universidade de Oxford, com eficácia por volta de 60%, e menores do que a Moderna, próxima de 100%, ou da Pfizer/Biontech (95%). "É um resultado intermediário, interessante", afirma o imunologista.

Pode conter a pandemia em poucos meses

O imunologista considera ser possível interromper a proliferação do vírus com a aplicação de uma vacina com a eficácia da CoronaVac. Para tal, o cronograma de imunização é fundamental.

"Depende muito da velocidade com que conseguiremos vacinar todo mundo. Com essa eficácia, em 2, 3 meses a pandemia acaba. Essa é a verdade", afirma, dizendo que a taxa de transmissão diminui e a chance de o vírus morrer no último transmissor é maior.

"Qualquer vacina acima de 70%, se conseguir vacinar rapidamente, haverá também a diminuição no número de mutações. O efeito de uma vacina é muito bom. Seria melhor com 90%, mas 70% é bem razoável", diz.

Eficácia diferente de país para país

A mesma vacina da CoronaVac testada na Turquia apresentou efetividade em 91% dos vacinados. O imunologista explica que uma possível explicação é o grupo de pessoas vacinadas, com a população geral no país do médio oriente e junto a profissionais da saúde no Brasil.

"Na Turquia era todo mundo. O 90% inclui gente que não entrou em contato [com o vírus]. Aqui, no Brasil, é mais preciso porque foi feito só com profissionais de saúde porque o risco de contato é maior", justifica.

O Butantan deu explicação semelhante na coletiva. Segundo Dimas, o índice menor se deve principalmente a dois fatos: o modelo da vacina (que usa o próprio vírus) e o alto contágio no Brasil, inferior ao de outros países onde os imunizantes foram testados.

O diretor do Butantan argumentou ainda que o fato de os testes terem sido feitos com profissionais da saúde torna o estudo "mais detalhado" contra a doença.

Rizzo questiona a afirmação, dizendo que esse fator "não mostra que é o estudo mais seguro ou mais preciso". "É um estudo, uma amostra. Se der para o mundo inteiro, é tratamento. É preciso entender que quando aumenta a amostra, aumenta chance de aparecer coisas que não foram vistas".

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