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1 mês

Pazuello reafirma que vacinação no país começa na quarta-feira, às 10h

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

17/01/2021 17h44Atualizada em 17/01/2021 18h40

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reafirmou hoje, após aval da Anvisa ao uso emergencial dos imunizantes CoronaVac e AstraZeneca, que o plano nacional de vacinação começará na próxima quarta-feira (20), às 10h. A distribuição das doses da CoronaVac terá início amanhã (18), às 7h, com o apoio do Ministério da Defesa, que ficará responsável pelos deslocamentos aéreos de São Paulo para outros estados.

Apesar da confirmação do cronograma, Pazuello não revelou quantas doses serão encaminhadas aos estados a partir de amanhã. As secretarias de saúde serão responsáveis por estabelecer prioridades de vacinação e também por distribuir os imunizantes aos municípios.

A vacinação mediada pelo Ministério da Saúde começará com a aplicação da CoronaVac, produto concebido pelo laboratório chinês Sinovac e desenvolvido e fabricado no Brasil pelo Instituto Butantan (SP).

Divergência entre SP e Ministério da Saúde

O anúncio ocorre no meio de uma disputa política entre o governo federal e o governo de São Paulo, que esteve à frente da mobilização pelo avanço da CoronaVac nos últimos meses. O Ministério da Saúde alega que tem um contrato de exclusividade assinado com o Butantan e exige que SP envie imediatamente as seis milhões de doses que foram fabricadas.

O estado de São Paulo, por sua vez, afirmou que vai manter em SP o volume proporcional de doses da CoronaVac a que tem direito de acordo com os critérios de proporcionalidade estabelecidos no Plano Nacional de Imunização.

Segundo o governo do estado, 4,6 milhões de doses serão enviadas a outros estados, e 1,4 milhão de doses ficarão em SP.

Além disso, há uma divergência quanto aos cronogramas. O governo estadual quer iniciar a campanha de vacinação já amanhã (18).

Na tarde de hoje, logo depois do aval da Anvisa para uso emergencial das vacinas, o governador de SP, João Doria (PSDB), promoveu um ato simbólico com a aplicação da CoronaVac na enfermeira Mônica Calazans. Ela se tornou, portanto, a primeira pessoa a ser imunizada no Brasil.

O gesto deixou o ministro Pazuello irritado. À imprensa, o representante do governo Jair Bolsonaro (sem partido) acusou o tucano de promover uma "jogada de marketing" e de "deslealdade".

Doria respondeu que Pazuello devia "estar agradecendo, e não protestando", e afirmou que o governo Bolsonaro "faz golpes de mortes há onze meses contra brasileiros, com negacionismo, cloroquina, falta de agulha e orientação, frases lamentáveis".

Doria e Bolsonaro são adversários no atual cenário político e devem se enfrentar na eleição presidencial de 2022. O tema da vacina tem sido um dos pontos de embate entre os dois.

"Governadores, não permitam que movimentos políticos eleitoreiros se aproveitem da vacinação", disse Pazuello na tarde hoje, sem fazer uma menção nominal a Doria.

Para Pazuello, o ato simbólico que ocorreu em SP é uma "quebra de pactuação" em relação ao Plano Nacional de Imunização, que, segundo ele, teve o consentimento de todos os governadores. "Quebrar essa pactuação é desprezar a igualdade entre os estados e entre todos os brasileiros construída ao longo da nossa história. É desprezar a lealdade federativa", declarou.

Brasil aguarda chegada da vacina de Oxford

Enquanto começará a vacinação com as doses da CoronaVac que já estão disponíveis, o Brasil ainda aguarda a chegada de 2 milhões de doses do outro imunizante aprovado pela Anvisa, o da AstraZeneca, que foi desenvolvido na Fiocruz (RJ) em parceria com a Universidade de Oxford (Inglaterra).

A remessa do imunizante foi comprada de um laboratório indiano parceiro da farmacêutica AstraZeneca, mas a entrega acabou atrasando devido a impasses na negociação entre o Brasil e a Índia e conflitos de natureza diplomática. Pazuello afirmou hoje que o problema será resolvido e que a carga deve chegar ainda no início desta semana.

"É muito provável que a gente consiga coordenar a entrega para o começo da semana. Estamos nas negociações diplomáticas para entrega. Todas as medidas que cabiam ao governo federal foram executadas", disse o ministro.

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