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Coronavírus

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Governo não fez lição de casa e teremos problemas, diz ex-chefe da Anvisa

Gonzalo Vecina Neto acredita que Brasil terá problemas com desorganização para vacinar população - VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Gonzalo Vecina Neto acredita que Brasil terá problemas com desorganização para vacinar população Imagem: VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Do UOL, em São Paulo

19/01/2021 09h40

O médico sanitarista Gonzalo Vecina disse hoje, em entrevista à GloboNews, que o governo federal não fez a lição de casa e que a vacinação no Brasil contra covid-19 terá intercorrências por causa da desorganização do Ministério da Saúde e de dificuldades diplomáticas.

Ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Vecina disse que os desafios para imunizar a população brasileira ainda são grandes e que falhas na estratégia do governo podem comprometer o combate à pandemia do novo coronavírus.

"O PNI (Plano Nacional de Imunização) tem tudo para não ser um plano. Não está ajustado. Não se sabe como e quando as vacinas chegarão. Tem problemas diplomáticos. O governo federal não fez a lição de casa, não testou adequadamente como as vacinas devem se deslocar no Brasil. Infelizmente vamos ter outros problemas por causa da desorganização do Ministério da Saúde", disse.

No momento, a principal preocupação de Gonzalo Vecina é com a importação de novas doses e insumo necessário para a produção de vacinas, especialmente da China. O Brasil iniciou a vacinação no último domingo (17),com a distribuição de 6 milhões de doses da CoronaVac.

"Não sei como vamos resolver o problema mais grave no momento, que é essa questão com a China e a forma como o Brasil e nossas autoridades se relacionam com ela. A China não precisa das vacinas Sinovac e AstraZeneca que produzem lá, ela tem outras fábricas que estão produzindo a todo vapor para vacinar toda a população. É questão diplomática de desembaraço dessas vacinas para chegar com mais celeridade ao Brasil", opinou.

Ontem, o Instituto Butantan solicitou o uso emergencial de outras 4,8 milhões de doses da CoronaVac que já estão prontas. A produção de novas doses, porém, depende da liberação de insumos por parte do governo chinês. A situação é parecida com a da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), responsável pela produção no Brasil da vacina da AstraZeneca/Oxford.

A relação diplomática entre Brasil e China sofreu abalos ao longo da pandemia, principalmente com declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus aliados questionando o país em relação à origem do vírus e colocando em dúvida a qualidade da CoronaVac pelo simples fato de ela ser chinesa.

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac é a única vacina até o momento distribuída no Brasil. Além dela, a vacina de AstraZeneca/Oxford recebeu aprovação para uso emergencial da Anvisa, mas ainda não há doses prontas para aplicação.

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