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Doria cobra Saúde sobre leitos de UTI e promete ir ao STF amanhã

Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

08/02/2021 14h12

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a cobrar hoje o Ministério da Saúde pela manutenção e financiamento de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para pacientes com covid-19.

Após uma troca de acusações com o governo federal que começou na sexta-feira (5), Doria prometeu levar a questão ao STF (Supremo Tribunal Federal) caso a pasta chefiada pelo general Eduardo Pazuello não atenda à demanda do governo paulista até hoje.

"Já autorizei o secretário de Saúde [Jean Gorinchteyn] e a Procuradoria do estado. Se não tivermos uma posição objetiva e clara até hoje, confirmando que [o Ministério] voltará a habilitar leitos de UTI desabilitados, São Paulo judicializará essa medida no STF", disse Doria durante entrevista coletiva sobre a pandemia no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Desde a semana passada, o governo paulista e o federal travam uma guerra de versões sobre 3.258 leitos de UTI que a gestão de Doria afirma terem sido desabilitados pelo Ministério em São Paulo. A pasta federal chegou a afirmar que o governador paulista "mente" sobre a desabilitação dos leitos.

"É um absurdo o Brasil, enfrentando a pandemia, termos desabilitação de leitos de UTI pelo Ministério da Saúde, que deveria se antecipar e manter leitos disponíveis. O Ministério da Saúde desabilita como se tivéssemos superado a segunda onda", afirmou o governador hoje.

Doria antecipou que o recurso de São Paulo no STF poderá vir acompanhando de outros estados.

"Se outros estados quiserem, podemos fazer juntos via Conass [Conselho Nacional de Secretários de Saúde] ou pelo Fórum de Governadores. O que não podemos é não fazer nada", disse.

Disputa constante

A questão dos leitos é mais um dos muitos temas que viraram motivo de disputa nos últimos meses entre Doria e o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nessa briga política, o capítulo mais emblemático se deu com a vacina CoronaVac, que era questionada por Bolsonaro e chegou a ser preterida para a campanha nacional de vacinação contra a covid-19, sendo depois incorporada e agora é o principal imunizante à disposição.

Após se eleger governador com o apoio de Bolsonaro, Doria vem se mostrando como opositor do presidente, num gesto que antecipa a disputa à presidência de 2022. O governador paulista e Bolsonaro são prováveis concorrentes e seguem se tratando como rivais políticos.