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Em dia de recorde de mortes por covid, Bolsonaro só fala em cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante sua live semanal em que defendeu a cloroquina e fez pouco caso sobre mortes - Reprodução/Facebook
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante sua live semanal em que defendeu a cloroquina e fez pouco caso sobre mortes Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo*

12/02/2021 00h14

O Brasil registrou hoje 1.452 mortes por covid-19. É o maior número de óbitos nos 42 primeiros dias de 2021.

Na live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desdenhou o número alto de fatalidades: "Não adianta ficar em casa chorando, não vai chegar a lugar nenhum".

Continuou falando de cloroquina, remédio sem eficácia comprovada contra a covid. Segundo o presidente, não houve desperdício de recursos públicos ao se produzir o remédio.

Segundo revelado pela Folha de S. Paulo, o governo usou verba destinada ao combate à pandemia para que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) produzisse milhões de doses de cloroquina.

A Folha também publicou hoje uma resposta do Ministério da Saúde a questionamentos do MPF (Ministério Público Federal) sobre esses gastos com a droga. Segundo o documento obtido pelo jornal, a pasta admitiu que usou a cloroquina feita para combater a malária no tratamento contra a covid-19.

Bolsonaro ainda fez propaganda do remédio ineficaz: "Tem muito médico que usa a hidroxicloroquina, a ivermectina [antiparasitário] para o tratamento precoce". Não há comprovação científica de melhora no sistema de quem usa esses remédios.

O presidente disse ainda que vai conversar com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, para o Brasil importar um spray experimental, usado em tratamento de câncer, que está sendo testado em casos graves de covid.

O norte do pais teve duas notícias ruins. A Fiocruz encontrou mutações inéditas do coronavírus em Rondônia, onde o sistema de saúde entrou em colapso.

A pesquisadora Deusilene Vieira afirma que o número de novas mutações chamou a atenção dos pesquisadores porque foi quase o dobro do revelado inicialmente —o que mostra um processo evolutivo e preocupante do novo coronavírus.

"No estudo genômico que fizemos no início, entre abril e maio, foram 22 mutações e agora foram 41. Muitas delas não estão descritas ainda na literatura", diz.

Já no Amazonas, indígenas disseram que missionários evangélicos estão provocando medo em relação à vacina. Índios jamamadis expulsaram profissionais de saúde com arcos e flechas em visita neste mês.

Balanço de vacinados

No Brasil, as duas doses de vacina contra a covid chegaram a apenas 0,05% da população (menos de 109 mil pessoas). Os imunizados com a primeira dose bateram 4,5 milhões de vacinados, ou 2,16% se comparado com toda a população brasileira.

Com relação a estudos sobre a doença, uma pesquisa do Incor (Instituto do Coração) apontou que a covid-19 pode causar sequelas no sistema cognitivo de pessoas que tiveram sintomas leves.

Já a Fiocruz divulgou que houve queda de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em oito capitais.

* Com agências de notícias